PJ terá identificado hacker português que roubou os segredos dos três grandes

A revista Sábado revela que Rui Pinto, com menos de 30 anos, conseguiu entrar nos sistemas informáticos do Sporting, Benfica, Porto e fundo Doyen.

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LUSA/Miguel A. Lopes

A Polícia Judiciária terá identificado um jovem português que reside em Budapeste como o hacker que entrou nos sistemas informáticos do Sporting, Benfica, Porto e da Doyen Investment Sports, um fundo de investimento no futebol. Terá sido Rui Pinto a roubar correspondência privada ao Benfica e que deu origem ao caso dos emails.

A notícia é da revista Sábado, que na edição desta quinta-feira revela que Rui Pinto é um jovem já conhecido das autoridades de investigação portuguesas há vários anos e que o seu nome está associado ao Football Leaks, que tem divulgado milhares de documentos de muitos clubes relativos a contratos e circulação de dinheiro através de offshores.

Rui Pinto é tido como um génio da informática e do crime e a sua relação com processos judiciais começou há seis anos, quando ainda vivia em Portugal, conta a Sábado, e protagonizou um desfalque de 270 mil euros ao Caledonian Bank, sediado no offshore das ilhas Caimão.

Em 2015 terá entrado nas redes do Sporting, da Doyen e do FC Porto — neste último caso, acedendo a documentação sobre a contratação de jogadores que terão implicado o pagamento de comissões ao filho do presidente Pinto da Costa, como Steven Defour e Mangala. No caso do Sporting foram revelados na internet os contratos de Marcos Rojo, Labyad, e Jorge Jesus. 

A queixa do Benfica sobre intromissão no seu sistema informático só chegou ao Ministério Público em 2017 na sequência da divulgação de emails internos do clube na comunicação social e o clube da Luz juntou-se ao rol de vítimas de Rui Pinto. As mensagens de correio electrónico seriam sobre as movimentações de responsáveis do clube para influenciar e comprar resultados nos jogos da primeira Liga.

A revista conta ainda como tem sido a difícil tarefa das autoridades judiciais portuguesas — e, entretanto, também espanholas porque houve clubes espanhóis alvo de ataques informáticos e de publicação de contratos no Football Leaks — para localizar Rui Pinto. Desde vigilância à casa dos pais na época do Natal na esperança de que o jovem viesse a Portugal até pedidos, indeferidos pelo Ministério Público, para escutas telefónicas e validação de escutas ambientais e vídeo, passando por cartas rogatórias à Hungria e uma operação conjunta de Portugal, Espanha e Hungria que nunca chegou a realizar-se. Mas as autoridades húngaras recusaram todos os pedidos para a detenção de Rui Pinto e a apreensão do seu material informático.

hacker tem conseguido contornar todas as tentativas até da Europol, que o considera um génio informático pelo tipo de acesso que consegue ter aos sistemas dos seus alvos.