Merkel: “Não há justificação para perseguições violentas e slogans nazis”

Intervenções fortes da chanceler e de Martin Schulz em debate no Bundestag. “Ódio não é crime”, diz Alexander Gauland, da AfD.

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A chanceler alemã, Angela Merkel, declarou ontem numa sessão do Parlamento alemão que, embora reconheça o horror inspirado pela morte de um alemão em Chemintz há duas semanas, esse facto não pode servir de razão para mais actos de violência. “Não há qualquer desculpa nem justificação para ‘manifestações desumanas’ como slogans nazis, perseguições a quem pareça diferente, a um dono de um restaurante judaico,  ataques contra a polícia.”

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A chanceler alemã, Angela Merkel, declarou ontem numa sessão do Parlamento alemão que, embora reconheça o horror inspirado pela morte de um alemão em Chemintz há duas semanas, esse facto não pode servir de razão para mais actos de violência. “Não há qualquer desculpa nem justificação para ‘manifestações desumanas’ como slogans nazis, perseguições a quem pareça diferente, a um dono de um restaurante judaico,  ataques contra a polícia.”

“Não vamos permitir que grupos inteiros da nossa sociedade sejam excluídos”, continuou, acrescentando que judeus, muçulmanos, cristãos, ateus pertencem todos à sociedade alemã.

Merkel respondia a uma intervenção do líder da Alternativa para a Alemanha (AfD), Alexander Gauland, que acusou a chanceler de pôr em risco “a paz” no país, criticando a gestão do Governo do que aconteceu em Chemnitz a 26 de Agosto, quando um alemão morreu numa luta com dois requerentes de asilo, entretanto detidos, e na sequência do crime houve manifestações de extrema-direita, perseguições a estrangeiros, e um ataque ao único restaurante judaico da cidade.

Quem também respondeu a Gauland foi o antigo candidato a chanceler e antigo presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz, numa intervenção curta mas forte. Em relação aos gestos de “Heil Hitler”, que Gauland considerou “repugnantes”, Schulz contrapôs: “Fazer a saudação nazi é um crime que tem de ser alvo de um processo judicial.”

Gauland, continuou Schulz, de dedo em riste, está a simplificar todos os problemas complexos da época moderna e concentrando-os num só bode expiatório. No discurso do líder da AfD, “os imigrantes são culpados de tudo”, criticou Schulz, notando que já houve no passado um discurso semelhante no mesmo local.

Gauland e o seu partido usam “meios normalmente utilizados pelo fascismo”, disse Schulz, interrompido por palmas de deputados de vários grupos parlamentares. “Acho que chegou a altura de os democratas defenderem a democracia neste país”, concluiu Schulz.

“Ódio não é crime”

Na sua intervenção contra Merkel, Gauland declarou que “o verdadeiro crime foi o cometido por dois requerentes de asilo em Chemnitz”.

“Quem é que está a pôr em risco a paz no nosso país? Não somos nós”, disse Gauland. “Primeiro, o ódio não é crime, e, segundo, tem os seus motivos.”

Já o líder do Partido Liberal-Democrata (FDP), Christian Lindner, criticou a importância dada à imigração e asilo no debate político que leva à paralisia do Governo. 

Linder também aproveitou para disparar contra o ministro do Interior, Horst Seehofer, que afirmou que “a questão da imigração é a mãe de todos os problemas políticos”: para Linder, não é a imigração mas sim a sua gestão que é o actual problema na Alemanha.

O foco na imigração e asilo é visto como um dos factores para a má prestação dos partidos do Governo nas sondagens. Se as eleições fossem hoje, o apoio conjunto à CDU/CSU (União, centro-direita) e ao Partido Social-Democrata (SPD, centro-esquerda) baixaria para um novo recorde mínimo, 46% (dos quais 29% para a União e 17% para o SPD), segundo uma sondagem do instituto Emnid para o jornal Bild  am Sonntag. Seguiam-se a AfD (15%), os Verdes (14%), Die Linke/A Esquerda (10%) e o FDP com 9%.