Opinião

Liga das Nações

No fim-de-semana que passou tivemos uma jornada dupla da nova competição da UEFA. Tendo todos a percepção de que a maioria dos jogos amigáveis não proporciona futebol competitivo, a partir de agora os adeptos passam a ter a oportunidade de ver a sua selecção disputar mais jogos oficiais, participar numa nova competição e obter uma segunda oportunidade de qualificação para os principais torneios internacionais. Tínhamos, em cada ano par, um vencedor do Mundial ou do Euro; agora, a cada ano ímpar, teremos um campeão da Liga das Nações da UEFA.

Sob o ponto de vista da arbitragem, esta competição proporciona aos árbitros internacionais mais jogos para dirigirem e jogos com nível e qualidade competitiva, pois nos amigáveis, na maior parte dos casos, os árbitros acabam por ser condescendentes no plano disciplinar, desvirtuando um pouco a aplicação das leis de jogo. Agora, e porque há pontos e títulos e subidas e descidas, os árbitros têm de ser rigorosos, até porque também eles estão a ser observados e avaliados.

Por se tratar de uma competição entre selecções A, ao nível das substituições há uma nuance: nos jogos oficiais apenas se podem fazer três substituições, mas no banco de suplentes podem estar 12 jogadores sentados, o que permite ao treinador ter muito mais opções para introduzir no jogo, pois, como é sabido, nas competições de clubes essas três substituições só podem realizar-se de um universo de sete jogadores. Em todos os outros jogos das selecções A, podem realizar-se até seis substituições, como foi o caso do jogo de preparação com a Croácia.

No jogo entre Portugal e Itália, dirigido por um árbitro escocês, não tivemos videoárbitro (VAR) nem a tecnologia de linha de golo (TLG), mas tivemos os árbitros assistentes adicionais, mais conhecidos por árbitros de baliza. Das principais incidências destaco as seguintes:

  •  Ao minuto 35, houve um penálti cometido por Criscito sobre Pizzi, uma obstrução com contacto feita de forma deliberada já no interior da área. Devido ao facto de esta infracção ter sido feita sem a bola no local, passou despercebida ao árbitro, que tinha os olhos postos na bola. Contudo, esta situação ocorreu mesmo no enfiamento do árbitro de baliza. Com videoárbitro, e por se ter tratado de um erro claro e óbvio, teria sido facilmente visto e corrigido.
  • Um jogador italiano trocou de calções no decurso do jogo. É preciso relembrar que a lei permite que um jogador troque qualquer peça do equipamento dentro do terreno de jogo desde que o quarto árbitro verifique se a nova peça está regular e informe o árbitro e este autorize. Contudo, se o jogador sair do terreno de jogo para fazer essa troca, com a alteração na lei, já não precisa de reentrar com o jogo interrompido, pode fazê-lo com o jogo a decorrer, desde que se mantenham as condições anteriormente referidas.
  • Sérgio Oliveira preparava-se para substituir Bernardo Silva, o seleccionador verificou que William estava lesionado e voltou atrás na substituição. A lei é muito clara, a substituição só fica consumada e efectivada quando o jogador que vai ser substituído sair e o que vai entrar (suplente) penetre no terreno de jogo, o que significa que, mesmo que Bernardo saísse do terreno de jogo, se Sérgio Oliveira ainda não tivesse entrado poderia o seleccionador mandar de novo entrar Bernardo, mandar sair o William e só depois entrar Sérgio. Tudo isto seria legal. O árbitro apenas se deve limitar, nestas circunstâncias, a adicionar o tempo perdido neste processo, naquilo que tecnicamente, na lei 7 (a duração do jogo), se designa como “recuperação do tempo perdido”.
  • Pepe, em destaque pelo jogo 100 que fez pela selecção, já no final do encontro teve uma entrada duríssima sem bola sobre um adversário que lhe valeu o cartão amarelo, mas que com VAR poderia ter sido de outra cor. Contudo, foi muito inteligente na forma como pediu desculpa ao árbitro e aceitou a advertência, revelando maturidade e experiência, atributos muito importantes na forma de relacionamento com o adversário e com o próprio arbitro.