União Europeia

Boris Johnson compara plano britânico para o "Brexit" a “colete suicida”

As negociações estão num impasse e a data de Outubro para haver acordo dificilmente será cumprida.
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Boris Johnson PAUL CHILDS/Reuters

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros britânico Boris Johnson, diz que com com os seus planos para a saída do país da União Europeia, a primeira-ministra Theresa May vestiu o Reino Unido com um “colete suicida” .

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“Sujeitámo-nos a uma chantagem política perpétua. Pusemos um colete suicida na constituição britânica e entregámos o detonador a Michel Barnier [negociador da União Europeia para o ‘Brexit’]”, escreve Johnson num artigo de opinião na edição deste domingo do Daily Mail.

Numa alusão à anuência de Theresa May sobre as exigências de Bruxelas, nomeadamente as que são relativas às fronteiras do Reino Unido, Boris Johnson lamenta que a chefe de Governo tenha cedido em vez de lutar para o país conseguir um “gigantesco e generoso acordo de comércio livre”.

“Até agora, em todas as etapas das conversações Bruxelas tem conseguido o que quer. Concordámos com o calendário da União Europeia, aceitámos entregar 39 mil milhões de libras [cerca de 44 mil milhões de euros] por nada em troca” e “estamos dispostos a aceitar as regras” sobre as fronteiras, enumera o antigo ministro.

Para Boris Johnson, o plano May “é uma humilhação”, já que o Reino Unido parece um lutador “insignificante” de 45 quilos “vergado perante um gorila de uma tonelada”.

Em Julho, Boris Johnson e o então negociador britânico para o "Brexit", Davis Davis, demitiram-se em desacordo com a forma como estão a decorrer as negociações e os planos de May e do Governo para um "soft Brexit", ou seja com acordo comercial. Boris Johnson foi substituído pelo anterior ministro da Saúde do Reino Unido, Jeremy Hunt.

A demissão de Boris Johnson aumentou a pressão sobre a primeira-ministra, alvo de críticas de um sector dos deputados conservadores a favor de um “divórcio” mais radical com a União Europeia.

Também vários deputados que apoiam o "Brexit" já se manifestaram insatisfeitos com o plano, mas, por enquanto, ainda não foi iniciado qualquer tentativa para afastar Theresa May.

O comentário hoje divulgado gerou, contudo, polémica junto de alguns responsáveis políticos da ala conservadora, com ministro de Estado para a Europa e América, Alan Duncan, a condenar as palavras usadas por Boris Johnson.

Através da rede social Twitter, Alan Duncan argumentou que os comentários são “um dos momentos mais repugnantes da política britânica moderna” e deveriam ser “o fim político” de Boris Johnson.

Faltam menos de nove meses até que o Reino Unido sair da União Europeia, a 29 de Março de 2019, dois anos depois do arranque oficial do processo e quase três depois do referendo em que os cidadãos do Reino Unido aprovaram, em referendo por 52%, a saída do clube de Bruxelas. Mas as negociações sobre os termos do divórcio e do relacionamento posterior, que deviam estar concluídas em Outubro, estão num impasse e o Governo já divulgou um documento sobre uma saída sem acordo. A data de Outubro foi fixada de forma a que a saída possa ser ratificada pelos parlamentos nacionais dos 27 Estados-membros.