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Figuras do PSD criticam Rui Rio depois deste aconselhar críticos a saírem do partido

O deputado Carlos Abreu Amorim considerou que as declarações de Rio não são dignas de um presidente de "um grande partido democrático".
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Rui Rio defendeu que "é mais coerente sair" do PSD do que "ficar dentro a tentar destruir" o partido LUÍS FORRA/LUSA

Vários nomes do Partido Social Democrata, incluindo o deputado Carlos Abreu Amorim e o ex-vice-presidente Carlos Carreiras, criticaram este sábado, na rede social Facebook, o líder do PSD, Rui Rio, por ter aconselhado as vozes discordantes a saírem do partido.

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As críticas partiram também do deputado Miguel Morgado e do ex-deputado e ex-secretário de Estado José Eduardo Martins.

Em declarações à rádio TSF, o presidente do PSD, Rui Rio, aconselhou este sábado os críticos internos que discordam "do ponto de vista estrutural" a tomarem uma atitude idêntica à de Pedro Santana Lopes, que no início de Agosto saiu do PSD para formar um novo partido, a Aliança.

Rui Rio defendeu que "é mais coerente sair" do PSD do que "ficar dentro a tentar destruir" o partido, assinalando que quando se pertence a um partido ou a um clube "é para colaborar e discordar criticamente, mas de forma genuína e real, não de forma táctica".

O deputado Carlos Abreu Amorim considerou que as declarações de Rio não são dignas de um presidente de "um grande partido democrático".

"Convidar a sair quem discorda do líder é típico de um chefe de facção e não é digno de um presidente de um grande partido democrático", escreveu no Facebook o ex-vice-presidente do grupo parlamentar do PSD.

Para Carlos Abreu Amorim, o PSD "tem de continuar a ser um partido aberto e agregador que se orgulha de incluir no seu denominador comum visões distintas".

"Não é um bando sectário e intolerante que quer excluir aqueles que têm opiniões diferentes", sustentou, prometendo "ficar no PSD e ajudar a combater a desolação que se sente em toda a parte".

"Hoje mesmo, o secretário-geral e o cabeça-de-lista nas Europeias discordaram do líder e não deverão sair por causa disso. E bem", frisou.

O antigo vice-presidente do PSD e actual presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, lembrou que o PSD é "um partido democrático" com "mais responsabilidade" porque sempre foi "um partido social-democrata".

Carlos Carreiras questionou se o presidente do partido, Rui Rio, aconselhará "o seu secretário-geral", José Silvano, "a ir para outro partido" se as suas discordâncias forem consideradas estruturais.

O deputado Miguel Morgado sublinhou que "o PSD não tem donos, nem pode ser um partido de expulsões, cisões e saídas", mas deve ser "um partido de agregação, federação e mobilização".

"É um mau conselho", escreveu o ex-deputado e ex-secretário de Estado do Ambiente José Eduardo Martins, acrescentando: "Já eu, apesar da miséria das sondagens, acho que todos somos poucos e que até o Dr. Rui Rio faz falta."