Opinião

A liberdade da Cuba Libre é principalmente a sua. Basta saber com que linhas se há-de coser

Lembre-se que só precisa de pequenas quantidades de rum e de Coca-Cola. Sem gelo é mais fácil provar as compatibilidades. Uma pequena garrafa de Coca-Cola e uma lima é suficiente para experimentar uma dúzia de combinações. Faça apenas a Cuba Libre completa com as combinações que achar deliciosas.
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Laura Patterson/Getty Images

Como o rum com cola costuma ser a primeira bebida destilada que um adolescente bebe, é frequente ficar enjoado para a vida inteira porque é de rum com cola a primeira terrível ressaca que vem a sofrer.

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Normalmente chama-se rum com cola à bebida que é só isso mais uma rodela de limão e Cuba Libre à bebida que leva sumo de lima — geralmente um quarto de lima espremida para dentro do copo.

Sabe-se no caso dos gin tónicos que as marcas antigas foram concebidas para casar bem com a água tónica da Schweppes, já que a grande maioria dos consumidores não bebe gin sozinho — bebe quase sempre com água tónica.

Com os runs acontece o mesmo com a Coca-Cola. São calibrados para ficar bem com este refrigerante — sobretudo os runs brancos de cor, que nos melhores casos têm pelo menos três anos de envelhecimento.

A Coca-Cola é uma bebida espantosa e única, impossível de reproduzir. É respeitada até pelos perfumeiros pela originalidade da formulação, pelo cheiro e pela complexidade. Trata-se de uma bebida doce que é equilibrada pela cafeína e pelo ácido cítrico. O sabor é inconfundível.

Para quem não quer açúcar ou cafeína, a versão da Coca-Cola sem açúcar ou cafeína é muito agradável sozinha, com muito gelo e limão, mas é talvez magra de mais para beber com rum.

Perante uma bebida tão estimada como a Coca-Cola, os produtores de rum têm duas estratégias: fazer runs apagados e levíssimos, que deixam a Coca-Cola brilhar, ou fazer runs capazes de manter a personalidade sem apagar a Coca-Cola.

Num extremo está o rum Bacardi, que acrescenta baunilha e álcool para deixar a Coca-Cola como é — uma combinação inteligentíssima — e no outro estão os runs jamaicanos cujos sabores acentuados apagam a Coca-Cola ou, pelo menos, entram em luta com ela. É por esta razão, aliás, que o rum jamaicano fica tão bem com Ting, o refrigerante de toranja fabricado na Jamaica.

Experimentei Coca-Cola com cerca de vinte runs de vários tipos e países e cheguei à conclusão que os cubanos — por serem secos e leves mas com sabor próprio — são os que combinam melhor, para quem quer encontrar tanto o sabor do rum como o da Coca-Cola.

Não é por acaso que os runs cubanos foram concebidos para outras bebidas (mojitos, daiquiris) ou para a versão cubana da Coca-Cola. Será por isso que coexistem tão bem com a Coca-Cola?

As medidas são importantes. Acho que a melhor é de 50 gramas de rum para 100 gramas de Coca-Cola, com 5 gramas de sumo de lima. Como em todas as bebidas, é na afinação das quantidades que se chega ao gosto de cada um.

A Coca-Cola fica mais ou menos bem com todos os runs, mas isso não quer dizer que a melhor Cuba Libre é com o melhor rum que tiver. Os melhores runs merecem ser bebidos sozinhos ou só com uma pedra de gelo. Um bom teste é experimentá-lo num pequeno Ti Punch com um esguicho de lima e um bocadinho de açúcar. Se o rum ficar melhor assim é provável que fique bem com Coca-Cola. Se ficar pior, esqueça a Coca-Cola.

Para testar a sua Cuba Libre, lembre-se que só precisa de pequenas quantidades de rum e de Coca-Cola. Sem gelo é mais fácil provar as compatibilidades. Uma pequena garrafa de Coca-Cola e uma lima é suficiente para experimentar uma dúzia de combinações. Faça apenas a Cuba Libre completa com as combinações que achar deliciosas.

Outra questão importante é a tolerância de doçura. Quem não gosta de todo de bebidas doces não vai nunca gostar duma Cuba Libre, por muito seco que seja o rum e por muita lima que leve.

Finalmente, evitem-se os runs que foram adoçados. A lista publicada no site Drecon é fidedigna e recomenda-se, sobretudo para quem está em denial no que toca à adição de açúcar aos runs, mesmo àqueles que se julgavam mais secos...