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SAD do Sporting revela prejuízo de 20 milhões em dia de eleições

Contas de 2017-18 encerram com 13,3 milhões de euros de capitais próprios negativos, mas o passivo e a dívida bancária foram reduzidos.
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LUSA/ANDRÉ KOSTERS

O dia das eleições no Sporting começou com uma má notícia sobre o desempenho da SAD (Sociedade Anónima Desportiva, que gere o futebol). Cinco minutos depois da meia-noite deste sábado ficou a saber-se que a temporada 2017-18 encerrou com um prejuízo de 19,9 milhões de euros, tendo registado ainda 13,3 milhões de euros de capitais próprios negativos.

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Coincidência ou não, a SAD agora liderada por Sousa Cintra decidiu comunicar esta informação à CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) algumas horas antes da abertura das urnas, desconhecendo-se o efeito que terá provocado entre os sócios na hora de decidir o voto.

Para justificar este desempenho negativo, os responsáveis da SAD - que substituíram a administração liderada pelo anterior presidente, Bruno de Carvalho, após a sua destituição da direcção do clube – avançam com algumas explicações. Apontam principalmente o dedo à crise que se instalou no futebol profissional sportinguista na recta final da temporada, que culminou com a rescisão unilateral de nove importantes activos do plantel.

“O percurso da equipa de futebol profissional da Sporting SAD apresentou um registo muito positivo até uma fase avançada da época”, ressalva o comunicado assinado por Sousa Cintra, referindo-se à situação da equipa em Abril. Na altura, ainda lutava pelos títulos em três frentes competitivas: Liga Europa, Liga Portuguesa e Taça de Portugal.

Seguiu-se o descalabro interno e o desastre competitivo. “Este registo ficou negativamente afectado pela crise directiva do clube, e sobretudo, pelos sucessivos episódios comunicacionais que contribuíram para a desestabilização da equipa profissional de futebol, situação esta que culminou com os gravíssimos e inéditos eventos ocorridos a 15 de Maio, na Academia de Alcochete”, salienta o Relatório e Contas.

A invasão das instalações “leoninas” por elementos ligados à claque Juve Leo provocou uma debandada de jogadores, entre 31 de Maio e 14 de Junho: Rui Patrício, Daniel Podence, Bruno Fernandes, William Carvalho, Gelson Martins, Bas Dost, Rodrigo Battaglia, Ruben Ribeiro e Rafael Leão. Destes, acabaram por regressar Bas Dost, Bruno Fernandes e Rodrigo Battaglia, o que, de acordo com a SAD, provocou um impacto positivo de 18 milhões de euros.

Um grande impacto no mau desempenho financeiro teve o registo de transferências de jogadores. “O saldo entre as vendas e as aquisições, no presente exercício, foi negativo em 21 milhões de euros”, revela o comunicado, reforçando as consequências da invasão da Academia, incidente que “limitou e condicionou a força negocial da sociedade no sentido de garantir encaixes adicionais”.

Ainda em termos de transferências, destaca-se a saída de Adrien para os ingleses do Leicester, que proporcionou um encaixe de 20,5 milhões de euros. Nada que evitasse um saldo negativo entre vendas e aquisições, com o volume de negócios a baixar de 173 milhões de euros (na temporada 2016-17) para 126 milhões de euros.

O lucro com a venda de passes de jogadores em 2017-18 foi de apenas 34 milhões de euros, contra os 93 milhões registados no período homólogo do ano anterior.

Em termos de investimentos, a SAD assegurou a contratação de Marcos Acuña (10,6 milhões de euros), e Jeremy Mathieu (4ME relativos a prémio de assinatura - 3ME - e comissões - 1ME) na pré-época 2017-18, Marcus Wendel (8,7ME) e Fredy Montero (1ME), no mercado de Janeiro, e finalmente Raphinha (6,5 milhões), Viviano (2ME) e Bruno Gaspar (4,7), em Junho de 2018. 

Passivo e dívida baixam

Já os 13,324 milhões de euros de Capitais Próprios negativos são explicados com o esforço do investimento no plantel, “quer seja na aquisição de direitos económicos de jogadores, quer pelo nível salarial praticado”. De acordo com a SAD, verificou-se um aumento dos encargos com o pessoal, que passou dos 63,998 milhões para os 73,864 milhões de euros.

Mas nem tudo foi negativo no último exercício. O passivo global foi reduzido em 28,3 milhões de euros, passando de 311 milhões para 283 milhões de euros.

Pelo mesmo caminho seguiu a dívida bancária nominal, que desceu de 105 milhões de euros para os actuais 88 milhões. Menos 18 milhões de encargos com a banca.