Justiça

Paulo Rangel avisa que será "incompreensível" se Governo não reconduzir Joana Marques Vidal

Eurodeputado do PSD foi à Universidade de Verão descrever a actual procuradora como alguém discreto, eficaz e sem qualquer conotação política.
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Paulo Rangel esteve na Universidade de Verão Miguel Manso

O eurodeputado Paulo Rangel avisou esta sexta-feira que será "incompreensível" se o Governo não reconduzir a actual procuradora Geral da República, acusando o Governo de falhar em todas as áreas da soberania e "deitar ao lixo" o Estado social.

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"Depois do desempenho que teve a Procuradora-Geral da República ao longo destes anos - discreta, eficaz, sem qualquer conotação política, indo a todos os casos - seria incompreensível esta agenda que tem o Governo de não a querer reconduzir", criticou Rangel, numa aula na Universidade de Verão do PSD sobre Europa.

Para o antigo líder parlamentar social-democrata, que já disputou a presidência do partido, o Governo chegou "ao cúmulo" de produzir "não 'fake news' [notícias falsas], mas uma 'fake Constituição'", ao dar a entender que a Lei Fundamental não permite a recondução de Joana Marques Vidal.

"Lá está cristalino, limpinho, transparente que ela pode ser reconduzida. Era um mau sinal, numa altura em que tantos governos na Europa procuram interferir na justiça, que nós, que temos uma apreciação pacífica sobre o seu desempenho fôssemos introduzir ruído e perturbação institucional", disse, apelando ao "bom senso" do Governo.

Paulo Rangel salientou que "o Governo terá de responder pelo que fizer" e defendeu que o assunto nada tem a ver com "esquerdas e direitas", mas com "o pilar fundamental de qualquer democracia que é o Estado de direito".

Numa 'aula' de mais de uma hora, Rangel acusou o Governo de falhar em áreas da soberania como a Defesa - lembrando o caso de Tancos -, os Negócios Estrangeiros a propósito da situação dos lusodescendentes e emigrantes na Venezuela e até da administração interna, alertando para o aumento da sinistralidade rodoviária.

"Para se fazerem umas flores com as políticas de rendimentos está-se a cortar em coisas estruturais, a ir ao osso. Nem no tempo da 'troika' se deixou os serviços públicos no Estado em que estão agora", criticou, acusando o actual Governo socialista de estar a "deitar ao lixo" o Estado social.