EUA

Michael Moore compara Trump a Hitler em novo documentário

Depois de Fahrenheit 9/11, sobre George W. Bush, surge Fahrenheit 11/9, sobre a ascensão de Donald Trump à presidência dos EUA. Uma reflexão provocadora sobre "como é que nos metemos nesta trapalhada e como é que saímos dela".
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O realizador Michael Moore MARK BLINCH/Reuters

Michael Moore apresentou o seu filme sobre Donald Trump, Fahrenheit 11/9, na quinta-feira à noite no Festival de Cinema de Toronto no Canadá. O realizador de 64 anos criou um filme que é uma espécie de sequela da sua crítica de 2004 a George W. Bush, Fahrenheit 9/11, que venceu a Palma de Ouro em Cannes e é o documentário mais lucrativo de sempre.

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O documentário examina as forças que, segundo Moore, contribuíram para a vitória de Trump nas presidenciais de Novembro de 2016, fazendo paralelos com a ascensão de Hitler na Alemanha dos anos de 1930.

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A certa altura, o filme sobrepõe palavras de Trump às de Hitler, e um historiador fala sobre a ascensão de homens fortes a posições de poder.

“Exploramos a questão ‘como é que nos metemos nesta trapalhada e como é que saímos dela’”, disse Moore na apresentação.

Fahrenheit 11/9 afirma que Vladimir Putin e, por incrível que pareça, Gwen Stefani foram duas das pessoas responsáveis pela chegada de Donald Trump à sala oval.

Moore salientou a natureza clandestina de Fahrenheit 11

9. “Eu disse a todos os que estavam a gravar o filme que tínhamos de agir como se estivéssemos na Resistência francesa. O que queríamos transmitir com este filme é o sentimento de urgência que todos nós estamos a sentir.”

No filme, Moore sugere que uma nova estirpe de jovens manifestantes pode mostrar como poderemos evoluir. Na sessão de perguntas e respostas depois do filme, Moore deu a palavra a sobreviventes do tiroteio da escola de Parkland.

“Quem está preparado para salvar a América”, perguntou David Hogg, um sobrevivente do tiroteio de Parkland com 18 anos e que se tornou activista político. “O mais importante é perceber os problemas que enfrentamos como país, independentemente de ser a água em Flint, o encarceramento de pessoas de cor ou o número de afro-americanos proibidos de votar devido a uma condenação antiga.” Referiu o importante estado da Florida em que 21% dos afro-americanos se encontram nessa situação, apesar de o mesmo acontecer noutros estados.

“David Hogg disse-me ‘Somos a geração dos tiroteios em massa porque nascemos entre nove a 11 meses depois de Columbine’”, disse Moore, referindo-se ao tiroteio na escola de Columbine, o tema do seu filme de 2002 Bowling for Columbine

Serão eles a geração da esperança?, perguntou um membro do público.

“Não, eu sou contra a esperança”, responde Moore. “Esperança tínhamos com Obama. Nessa altura era bom. Agora precisamos de uma geração de acção, como o que aqueles miúdos na Florida fizeram. Atravessaram a Florida para dar o seu apoio a Andrew Gillum — e um homem negro venceu as primárias democráticas. Precisamos de mais coisas assim.”

Quando o eterno arruaceiro Moore anunciou Fahrenheit 11

9, a data em que Trump foi eleito, houve repercussões, contou ao público com um sorriso.

“Mantive tudo em segredo até anunciar o filme no programa do Stephen Colbert e mostrar algumas cenas do filme. Na semana seguinte recebi uma visita do Departamento das Finanças, que me queria auditar, nunca tinha sido alvo de uma auditoria. A graça aqui é que desde Roger & Me que eu pago mais. Não faço deduções e dou recibos, o que significa que estou a pagar a mais. Por isso, quando for auditado, eles vão descobrir que estou a pagar mais impostos do que aqueles a que sou legalmente obrigado e vão ter de me devolver o dinheiro.”

A teoria de Moore sobre Gwen Stefani partiu da campanha que Trump organizou para provar à NBC que valia mais no seu programa O Aprendiz do que Stefani em The Voice, onde ganhava mais do que ele. No filme, Moore salienta como os filhos de Trump o encorajaram a encenar dois comícios presidenciais como uma espécie de truque publicitário e Trump gostou do que viu. Tinha sido despedido pela NBC e por isso não tinha nada a perder.

Tradução de Ana Silva