Espanha

Cidadãos rompem pacto com PSOE e forçam eleições na Andaluzia

Acordo que permitiu a investidura de Susana Díaz foi assinado em 2015, depois das autonómicas que assinalaram o fim da maioria socialista na região e do bipartidarismo em Espanha.
Fotogaleria

O partido Cidadãos que garantia a maioria à presidente da comunidade andaluza, a socialista Susana Díaz, decidiu esta sexta-feira à tarde romper o pacto de investidura que negociara em 2015 com o PSOE da Andaluzia – o significado imediato da decisão é que as eleições na região terão de ser antecipadas.

Atingiu o seu limite de artigos gratuitos

O líder regional do partido de centro-direita, Juan Marín, levou a proposta de abandonar o apoio aos socialistas a uma reunião da Comissão Executiva realizada em Málaga. Marín justificou a decisão com a “falta de vontade” dos socialistas em “cumprir” o que fora acordado após as últimas eleições, nomeadamente a alteração da lei eleitoral e o limite aos cargos de nomeação, tudo propostas que visavam obter a regeneração democrática e limitar as chamadas “portas giratórias” (políticos que saltam de cargos públicos para empresas privadas antes de regressarem à política).

“A senhora Díaz e o PSOE esgotaram a paciência dos andaluzes quando se trata de falar de regeneração democrática, fogem e justificam o injustificável; também esgotaram a paciência dos Cidadãos”, afirmou Marín. Para o dirigente do partido liderado pelo catalão Albert Rivera, foi o PSOE que “rompeu o acordo de investidura”.

O acordo pós-eleitoral que durava há quase três anos e meio surgiu no ano que confirmou o fim do bipartidarismo na política espanhola. Primeiro, em Março na Andaluzia, depois, em Maio, um pouco por todo o país, Cidadãos e Podemos (à esquerda) fizeram eleger deputados municipais e presidentes de câmara, obrigando os partidos tradicionais a negociar coligações ou, em alguns casos, substituindo-os no poder.

As especulações sobre a eventual antecipação das autonómicas andaluzes já abundavam: há meses que cada vez que responde a perguntas dos jornalistas Díaz acaba por ter de comentar essa possibilidade, insistindo sempre em negá-la.

O principal motivo para a socialista (uma das principais figuras do partido a nível nacional) decidir ir a votos antes Março de 2019 seria tentar aproveitar o bom momento do PSOE – iniciado com a chegada de Pedro Sánchez ao poder, em Madrid, depois de derrubar o conservador Mariano Rajoy, do Partido Popular, com uma moção de censura no Congresso.

Agora, fosse ou não esse o seu desejo Díaz, irá mesmo mais cedo a votos. Quarta-feira, o porta-voz do PSOE andaluz, Mario Jiménez, já antecipara que a ruptura pré-anunciada do Cidadãos “levaria a comunidade a eleições antecipadas”. Só falta a presidente marcar a data.