António Costa visita hoje obra ferroviária que tem um ano e meio de atraso

A variante da linha da Beira Baixa à Beira Alta já deveria estar concluída no primeiro trimestre de 2018, mas ainda tem mais um ano de trabalhos pela frente

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Nuno Ferreira Santos

O primeiro-ministro vai estar hoje na Guarda para visitar a obra de construção da ligação ferroviária entre as linhas da Beira Baixa e da Beira Alta, um investimento de 52 milhões de euros que, de acordo com o Ferrovia 2020, já deveria estar concluído no primeiro trimestre de 2018.

Acompanhado do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, o chefe do governo vai ouvir as explicações da importância desta obra – uma variante que ligará a linha da Beira Baixa à da Beira Alta, fazendo com que os comboios vindos do Sul possam seguir directamente para Vilar Formoso sem terem que ir reverter a marcha à estação da Guarda.

Este empreendimento é também importante porque permitirá, quando decorrerem obras de modernização da Beira Alta e esta ficar sujeita a fortes restrições de tráfego, desviar os comboios pela Baixa Baixa, assegurando assim que as composições de mercadorias e os passageiros do Sud Expresso (Lisboa-Hendaye) e do Lusitânia Expresso (Lisboa-Madrid) cheguem a Espanha.

Esta obra, porém, já deveria ter ficado concluída em Março deste ano, mas ainda tem pela frente mais 12 meses de trabalhos, pelo que só em finais de 2019 estará concluída.

A par desta variante, há também um outro projecto em curso que dá continuidade a este e que está igualmente atrasado: a modernização do troço Covilhã – Guarda.

Segundo o plano de investimentos ferroviários apresentado pelo Governo em 2016, estes 46 quilómetros de linha deveriam entrar em funcionamento até Julho de 2018, mas também têm mais um ano de trabalhos pela frente.

É por esta razão que derraparam também os projectos para modernizar a linha da Beira Alta, a qual, segundo o mesmo plano, já deveria estar em obras desde o início de 2018. Mas ainda nem começaram. Sem a Beira Baixa concluída, não se pode investir a sério na Beira Alta.

António Costa não terá razões para sorrir, apesar do aparato mediático que o acompanhará à Guarda e de serem já visíveis obras no terreno, incluindo uma nova ponte ferroviária sobre o rio Diz.

O programa Ferrovia 2020, que tem sido insistentemente esgrimido como prova de que o Governo está a resolver os problemas do caminho-de-ferro em Portugal, está com um baixo nível de execução. Dos 17 empreendimentos que deveriam estar consignados, só seis estão em obras. Cinco deles (concordância da Beira Alta e troços Elvas-fronteira, Évora-Évora Norte, Nine-Viana e Caíde-Marco) já deveriam estar concluídos.