Comboios

Alfa Pendular e Intercidades da CP batem recorde de passageiros em Julho

“Os comboios de longo curso andam lotados de turistas. Tivéssemos nós mais comboios e eles andariam cheios, não tenho dúvidas”, Carlos Nogueira, presidente da CP
Foto
BLR bruno lisita

Os comboios Alfa Pendular e Intercidades atingiram um novo recorde de vendas com 650 mil viagens registadas no mês de Julho, anunciou a CP em comunicado. Este valor representa um crescimento de 7,4% (mais 44.900 viagens) face ao mês homólogo anterior.

Atingiu o seu limite de artigos gratuitos

Para este aumento, os comboios pendulares contribuíram com mais 13.400 viagens (mais 6,4%) e os Intercidades com mais 31.500 viagens (mais 8%).

A CP diz que foi ultrapassada pela primeira vez a barreira das 600 mil viagens nestes serviços. As receitas obtidas no serviço de longo curso também registaram o seu valor máximo mensal com 11 milhões de euros, mais 991 mil euros do que no mês de Julho de 2017.

Estes resultados devem-se a um excepcional aumento da procura, em grande parte relacionado com o boom do turismo. Na passada terça-feira, o presidente da CP referia, numa audição no Parlamento, que “a CP está a recuperar passageiros, e este ano deve atingir os 127 milhões de passageiros, também muito por causa dos turistas que chegam a Portugal de avião, mas querem viajar de comboio no interior do país. Os comboios de longo curso andam lotados de turistas. Tivéssemos nós mais comboios e eles andariam cheios, não tenho dúvidas”.

Isto apesar de também no longo curso a empresa ter dificuldades em responder à procura. Uma terça parte do seu parque de carruagens para os Intercidades está imobilizada nas oficinas da EMEF, que não tem pessoal para as reparar. Isso impede a empresa de fazer comboios mais compridos e traduz-se, na prática, por composições esgotadas (sobretudo aos fins-de-semana) e passageiros insatisfeitos.

Para obviar a falta de carruagens, a empresa tem recorrido a automotoras eléctricas do serviço regional para assegurar alguns serviços Intercidades, prática que tem sido usual no eixo Lisboa – Évora.

O mesmo tem acontecido com os comboios Alfa Pendular destinados a Braga em que os passageiros são obrigados a sair da composição em Campanhã e seguirem depois numa dessas automotoras até à cidade dos arcebispos. Os clientes podem, contudo, reclamar e pedir um desconto porque viajaram uma parte do seu percurso num comboio de categoria inferior.

O serviço de longo curso da CP liga Lisboa e Porto a Braga, Guimarães, Guarda, Covilhã, Évora e Faro.

A CP não divulgou números sobre o seu serviço regional, onde as suas dificuldades de material circulante são mais dramáticas. Só na linha do Oeste, entre 1 de Junho e 15 de Julho, a empresa suprimiu 380 comboios (mais de oito comboios por dia) e só arranjou transporte alternativo rodoviário para 145.

Nos restantes, os passageiros ficaram em terra, sem qualquer informação, muitos deles turistas que tiveram o azar de viajar fora do serviço de longo curso. Nas estações de S. Óbidos, S. Martinho do Porto e Valado dos Frades (que serve Alcobaça e Nazaré), por exemplo, houve dezenas de estrangeiros que ficaram apeados e sem qualquer informação por parte da empresa.

E no mesmo mês em que a empresa batia recordes nos Alfas e Intercidades, também no Algarve centenas de passageiros, entre eles muitos turistas, ficaram também abandonados nas estações porque os comboios foram suprimidos.