Unicef

Metade dos adolescentes do mundo são vítimas de violência na escola

Os estudantes lidam também com outras formas de violência, nomeadamente ataques sexuais e violência baseada no género.
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As raparigas têm mais probabilidades de sofrer bullying psicológico e os rapazes agressões BLR bruno lisita

Metade dos alunos com idades entre os 13 e os 15 anos, em todo o mundo, passa por situações de violência na escola ou nas imediações do estabelecimento de ensino, revela um estudo da UNICEF divulgado esta quinta-feira. O relatório da UNICEF Uma lição diária: #PôrFIMàViolência nas escolas (An Everyday Lesson: #ENDviolence in Schools), refere que são cerca de 150 milhões os adolescentes que relatam ter passado por situações de violência entre pares na escola.

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Este número inclui estudantes que relatam ter sido intimidados no último mês ou que estiveram envolvidos em confrontos físicos no ano anterior. Para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a violência entre pares "é uma componente perversa da educação dos jovens de todo o mundo".

O relatório, que enumera as várias formas de violência que os alunos enfrentam no interior e no exterior da sala de aula, adianta que cerca de um em cada três adolescentes entre os 13 e os 15 anos sofre bullying e uma proporção sensivelmente igual está envolvida em confrontos físicos.

Três em cada dez alunos admitem bullying

Segundo a publicação, três em cada 10 alunos em 39 países da Europa e América do Norte admite ter praticado bullying contra os seus pares. A UNICEF indica também que, no ano passado, foram documentados ou confirmados 396 ataques contra escolas na República Democrática do Congo, 26 no Sudão do Sul, 67 na Síria e 20 no Iémen.

Perto de 750 milhões de crianças em idade escolar vive em países onde os castigos corporais na escola não são totalmente proibidos, precisa o relatório, dando conta que o bullying e as lutas físicas "são apenas dois tipos de violência".

De acordo com a UNICEF, os estudantes lidam também com outras formas de violência, como ataques sexuais e violência baseada no género.

O mesmo documento sublinha igualmente que, apesar do risco de bullying ser semelhante, as raparigas têm mais probabilidades de sofrer bullying psicológico e os rapazes têm maior risco de sofrer agressões e ameaças físicas.

A directora executiva da UNICEF, Henrietta H. Fore, considera que "a educação é a chave para a construção de sociedades pacíficas", mas, para milhões de crianças em todo o mundo, a escola não é um lugar seguro".

"Todos os dias, existem alunos que enfrentam vários perigos, entre os quais confrontos físicos, pressão para se juntarem a gangues, bullying. A curto prazo, isto tem efeitos na sua aprendizagem e, a longo prazo, pode levar à depressão, à ansiedade e até mesmo ao suicídio. A violência é uma lição que não se esquece e nenhuma criança deveria ter de a experimentar", refere a directora executiva da UNICEF.

O relatório é lançado no âmbito da campanha global #PôrFIMàViolência, que tem como objectivo chamar a atenção e incentivar à acção para que seja posto fim à violência nas escolas e imediações e do qual fazem parte várias organizações, entre as quais a UNICEF. 

Nesse sentido, a agência da ONU apela para que se adopte legislação necessária para proteger os alunos da violência nas escolas, se reforce as medidas de prevenção e de resposta nos estabelecimentos de ensino, mudança de cultura nas salas de aula e comunidades e investimentos mais eficazes e direccionados para ajudarem os jovens e as escolas a manterem-se em segurança.