Crónica de jogo

Selecção abre novo ciclo com golo do centenário Pepe

Sem Cristiano Ronaldo em campo, o defesa central puxou dos galões e marcou o golo do empate frente a uma Croácia que se esgotou na substituição de Modric.

Pepe marcou no centésimo jogo por Portugal
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Pepe marcou no centésimo jogo por Portugal REUTERS/Pedro Nunes

Portugal não bateu o vice-campeão mundial, como vinha sendo habitual, mas provou frente à Croácia (1-1) — independentemente das ausências de peso dos dois lados — estar em condições de se impor em qualquer cenário, mesmo num quadro de renovação, com estreias (Sérgio Oliveira e Gedson Fernandes) absolutas e regressos promissores (Cancelo e Bruma), num sistema (4x3x3) que terá de ser aperfeiçoado.

Na prática, apesar da dinâmica imprimida por Portugal na fase inicial do jogo, foi a Croácia a adiantar-se, aproveitando a inépcia numa transição demasiado displicente, com William a tabelar e Bruma a fazer um passe curto para Mário Rui, forçando o lateral a jogar para trás e a deixar Rúben Neves numa situação de grande apuro. O desacerto luso e a sorte croata fizeram o resto, com a bola a ressaltar em Pepe e a sobrar para Perisic. O avançado do Inter de Milão assinou, sem problemas, o golo que Kovacic e Badelj haviam tentado meia dúzia de minutos antes.

Desta vez, o voo de Rui Patrício não impediu um autêntico soco no estômago aos adeptos portugueses, que por instantes tiveram de engolir os assobios a Modric. Mas, além do golo, o lance teve ainda outra consequência directa, com Bruma a desaparecer repentinamente do jogo em que, a par de Bernardo Silva, estava a cotar-se como um dos grandes desequilibradores, tendo mesmo ameaçado marcar aos 3’, oferecendo depois o golo ao jogador do Manchester City, perante um trémulo Kalinic.

Acusando demasiado a ausência do avançado Mandzukic e sem a habitual capacidade para implementar um jogo mais vertical e directo, a Croácia não soube capitalizar o momento, permitindo que Portugal digerisse o golo e reagisse, aos poucos, chegando à igualdade. O cabeceamento fulgurante de Pepe (32'), a cruzamento de Pizzi, repôs a justiça, compensado o central do azar no golo croata em dia de jogo centenário pela selecção.

A partir daí, Portugal rondou sempre com mais perigo a área adversária, mas nem os livres de Rúben Neves e Mário Rui, nem as investidas vertiginosas de João Cancelo logravam desmontar uma Croácia mais cínica, algo diferente da que maravilhou os amantes da modalidade no Mundial da Rússia. Dalic apresentou-se com praticamente meia equipa nova em relação ao "onze" que levou a selecção à final do Campeonato do Mundo, tendo ainda perdido a âncora defensiva com pouco mais de meia hora de jogo decorrido, com Vida a lesionar-se num desarme a André Silva, abalando a base do sector mais recuado.

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Tal como Portugal, os croatas encararam este jogo como um ensaio para a Liga das Nações, onde defrontam a Espanha e a Inglaterra. E foram notórias as preocupações de Dalic, interessado em baixar o ritmo, o que obrigava a controlar um opositor mais virado para o espectáculo, até para compensar a ausência de Ronaldo.

O dilema era enorme, até porque a Croácia era obrigada a retirar Modric da equação, o que lhe roubava iniciativa e criatividade. As sucessivas substituições acabaram por contribuir para uma segunda parte menos fluída, apesar das acelerações de Bruma — entretanto renascido — e de Cancelo. Portugal ainda roçou a vitória num lance criado por William Carvalho, que encontrou o momento certo para iluminar o ex-colega Gelson Martins. O agora “colchonero” convidou Mário Rui para a festa e o lateral disparou, com o defesa croata Milic a desviar para o poste de Kalinic.

Os minutos finais foram de grande vertigem, com Portugal na iminência de bater mais uma vez a selecção dos balcãs, o que acabou por não ser possível, apesar das tentativas de André Silva, que apadrinhou a estreia do jovem Gedson, de 19 anos.