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Aparelho do PS questiona Costa sobre ferrovia

António Costa e Pedro Marques foram bombardeados com exigências pelos líderes das federações, na sede do PS.
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Pedro Nunes (colaborador)

Durou quatro horas a reunião que anteontem pôs os líderes das federações do PS frente-a-frente com o primeiro-ministro e alguns dos seus ministros, na sede do Largo do Rato. O aparelho do partido mostrou-se preocupado sobretudo com uma questão: a falta de investimento na ferrovia e a degradação do material circulante, um problema transversal ao país.

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E as críticas foram concretas. Os dirigentes socialistas queixaram-se, por exemplo, da falta de electrificação das linhas do Algarve e do Oeste e do troço entre Beja e Casa Branca; reclamaram do atraso no lançamento da nova travessia do Tejo entre a Chamusca e Almeirim; e lamentaram a supressão de comboios e os atrasos na região de Lisboa. Bragança e Guarda reclamaram também do estado da sua ferrovia, com Guarda a insistir na rodovia (auto-estrada). Antecipando estas preocupações, a secretária-geral do PS havia escrito uma carta aos militantes do partido, de acordo com o Correio da Manhã, na qual abordava a questão da ferrovia.

Apesar de a reunião ter sido longa e quente, um dirigente local do PS ouvido pelo PÚBLICO considerou que Pedro Marques se apresentou com a “lição bem estudada”, revelando conhecimento dos dossiers abordados. O ministro recusou-se, no entanto, a fazer promessas que podia não conseguir cumprir, garantindo que as queixas seriam avaliadas caso a caso. No entanto, anunciou que um investimento de 170 milhões de euros na ferrovia será anunciado esta quinta-feira.

Em reacção, os socialistas explicaram que sentem agora mais pressão por parte das populações para resolverem estas questões, uma vez que está cumprida a prioridade dos primeiros tempos de mandato: a reposição de rendimentos.

Outros dos temas abordados na reunião foi o desconto nos passes sociais. Apesar de o ministro do Ambiente também estar presente na reunião, foi o próprio António Costa quem esclareceu a questão. Quando Fernando Medina lhe apresentou a ideia que foi entretanto partilhada com o Governo, já o ministro do Ambiente estava a trabalhar numa solução idêntica para todo o país, contou Costa, pelas suas palavras.

Ao contrário do que aconteceu noutras ocasiões, Mário Centeno foi desta vez poupado pelo aparelho do PS. E nem as cativações lhe valeram críticas. O ministro foi até elogiado, segundo o líder de uma federação, “pelo trabalho e pela estratégia orçamental”. 

Centeno, que estava presente para ouvir os elogios, apresentou o cenário macroeconómico para o ano de 2019 e realçou o facto de ser coincidente com o que foi tornado público em Abril, aquando da apresentação do Programa de Estabilidade. Nessa altura, o Governo previa que o défice do próximo ano ficasse pelos 0,2% do PIB e estimava excedentes orçamentais a partir de 2020.

Vários dirigentes locais do partido elencaram ainda problemas na área dos serviços públicos, nomeadamente em hospitais, e mostraram-se preocupados com a falta de investimento público.