É "imoral" que fundos europeus sejam desviados das vítimas, diz Rui Rio

Líder do PSD diz que uma coisa destas só acontece porque se desrespeita o dinheiro das pessoas.

Rio reagiu a questão do Fundo de Solidariedade Europeu
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Rio reagiu a questão do Fundo de Solidariedade Europeu LUSA/Rui Farinha

O presidente do PSD considerou esta terça-feira "imoral" que os fundos europeus para as vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande sejam canalizados para entidades públicas e não para a reconstrução das habitações afectadas pelo fogo.

"Não é minimamente correcto, não sei se é legal ou ilegal, os deputados do PSD no Parlamento Europeu vão ver se é regulamentar, agora é imoral", disse o também ex-autarca do Porto, Rui Rio.

O PÚBLICO e o jornal i publicaram nas edições de terça-feira que o Fundo de Solidariedade da União Europeia atribuiu 50,6 milhões de euros a Portugal no âmbito dos incêndios que fustigaram o país no ano passado mas este dinheiro só chegará aos concelhos ardidos em Outubro, e metade da verba vai ficar no Estado porque o Governo terá decidido atribuir 26,5 milhões de euros a candidaturas provenientes de instituições como a GNR, a Autoridade Nacional de Protecção Civil ou o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

Para o líder do PSD, aquela intenção do Governo desrespeita o espírito de solidariedade da população com Pedrógão Grande: "Só pode acontecer uma coisa destas porque nós desrespeitamos o sentido do dinheiro das pessoas, porque este dinheiro [dos fundos europeus] tinha que ir à frente e o das pessoas ser complementar".

Rui Rio enfatizou que "os portugueses não deram a ajuda para depois o dinheiro que as entidades públicas pudessem dar ser canalizado para entidades públicas, os portugueses não deram dinheiro para a GNR ou para a Marinha, foi solidariedade para as pessoas".

O líder social-democrata considerou ainda que o desvio de dinheiro dos fundos solidários que tem vindo a público é "um verdadeiro escândalo" mas recusou apontar culpas ao Governo nesta questão.

"Não me viram ainda atacar directamente o Governo por causa do que está a acontecer em Pedrógão porque a responsabilidade que o Governo pode ter nisso é lá muito longe, num controlo muito longe, porque não está no terreno. Eu posso conter-me nisso para não ser injusto e não fazer aquela posição habitual de ' não estou no Governo, digo mal de tudo'", explicou.

Mas "isto ultrapassou os limites porque aqui já não tem nada a ver com a câmara de Pedrógão nem nada", acrescentou.

"Se o governo pode não ter responsabilidade directa no que acontece em Pedrógão com as segundas habitações, aqui (com a canalização de verbas para entidades públicas) a responsabilidade é integralmente do Governo", finalizou.