Rikako Ikee fez duas viagens a Jacarta que nunca vai esquecer

Após fazer história nos Jogos Asiáticos, a jovem nadadora japonesa já tem as atenções centradas nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

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REUTERS/Jeremy Lee

Não se deve voltar a um lugar onde se foi feliz? No caso de Rikako Ikee é ao contrário: é aconselhável regressar aos sítios onde se conheceu a felicidade, até porque isso pode significar uma distinção histórica e um cheque de 50 mil dólares (43 mil euros). A nadadora japonesa de 18 anos foi aclamada como MVP (atleta que mais se destacou) na 18.ª edição dos Jogos Asiáticos, tornando-se na primeira mulher a receber este galardão. Ikee conquistou seis medalhas de ouro e duas de prata no evento que decorreu até domingo em Jacarta, na Indonésia – e, apesar de já ter regressado ao Japão, tornou a fazer a viagem de cerca de sete horas e meia até à capital indonésia para a cerimónia de entrega.

“No fim das competições viajei de volta para o Japão. Não pensei que teria de regressar à Indonésia. É um sítio do qual fiquei com muitas boas memórias”, confessou a nadadora japonesa. “Estou muito honrada por receber este prémio”, acrescentou Ikee, que na piscina de Jacarta venceu todas as provas individuais que nadou – 50m e 100m livres, 50m e 100m mariposa – tendo ainda integrado as estafetas 4x100m livres e 4x100m estilos que conquistaram o primeiro lugar do pódio. Os seis ouros foram obtidos com tempos que valeram a Rikako Ikee novos recordes asiáticos. E ainda houve prata nas estafetas 4x200m livres e 4x100m estilos (mista, neste caso).

Recordista de medalhas nestes Jogos Asiáticos, a nadadora japonesa estabelece com o seu desempenho um novo recorde de ouros numa só edição do evento para uma atleta feminina – o que é ainda mais notável tendo em conta que Rikako Ikee competiu em Jacarta imediatamente a seguir aos campeonatos Pan-Pacíficos, onde conquistou um ouro, duas pratas e um bronze, escrevia a agência Reuters. Só o atirador norte-coreano So Gin Man conseguira conquistar mais medalhas de ouro numa edição, ao arrebatar sete (e uma prata) em Nova Deli 1982.

Sobre os ombros da jovem Rikako Ikee recaem agora as expectativas de um país: Tóquio, a cidade de onde é natural a nadadora, acolhe os Jogos Olímpicos em 2020. “Parecem estar perto e longe ao mesmo tempo. Quero competir ao meu melhor nível no meu país natal”, garantiu Ikee, prometendo continuar a trabalhar: “Tenho dois anos pela frente e sei aquilo que preciso de fazer para melhorar.”

Detentora dos recordes mundiais do escalão júnior nos 50m livres, 50m mariposa e 200m estilos (e de outras sete marcas, sobretudo em mariposa, em piscina curta), Rikako Ikee não terá em Tóquio a primeira experiência olímpica: competiu no Rio de Janeiro, aos 16 anos, tendo como grande feito o sexto lugar na final dos 100m mariposa, que melhoraria para quinto face à desqualificação de uma nadadora chinesa. No caminho até à final bateu três vezes o recorde nacional da prova, com 57,27s nas eliminatórias, 57,05s nas meias-finais e 56,86s na final.

No Rio de Janeiro, cinco das sete medalhas do Japão na natação foram obtidas por homens, embora os dois ouros tenham sido divididos entre atletas masculinos e femininos. Mas, a julgar pelos Jogos Asiáticos, a tendência em Tóquio será diferente: em Jacarta as mulheres conquistaram mais ouros do que os homens, um sinal encorajador para o chefe da delegação japonesa, Yasuhiro Yamashita. “Espero que em 2020 as atletas que representam o Japão consigam brilhar. É algo que já podemos antecipar”, afirmou. Entre elas, naturalmente, Rikako Ikee.