Mercado de Cassiano Branco em Santarém entra em obras em 2019

câmara de Santarém abriu concurso para a requalificação do edifício icónico, que seguirá um projecto do arquitecto Paulo Henriques Durão.

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O mercado de Santarém foi construído em 1930 Luís Ramos/Arquivo

 A Câmara de Santarém quer iniciar em Abril de 2019 a obra de requalificação do mercado diário da cidade, um edifício de 1930 do arquitecto Cassiano Branco, numa intervenção de valor superior a dois milhões de euros.

O projecto de Paulo Henriques Durão, considerado pela revista "Wallpaper" como um dos 20 mais promissores jovens arquitectos de 2013, foi aprovado por unanimidade na mais recente reunião do executivo municipal, realizada na sexta-feira à tarde, juntamente com o caderno de encargos para o concurso internacional que a autarquia vai lançar.

O presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves (PSD), elogiou a intervenção proposta por Paulo Durão, que procura aliar o restauro do edifício, classificado como Monumento de Interesse Público em 2012, a uma leitura actual do contexto urbano em que se insere, apreciação partilhada pelo conjunto do executivo.

Referindo o papel desempenhado pelo vereador responsável pelo Urbanismo no anterior executivo municipal, o arquitecto Luís Farinha, o autarca disse acreditar que o projecto agora aprovado tornará "numa referência nacional" o mercado de Santarém, conhecido também pelos 55 painéis de azulejo que decoram o seu exterior com imagens do património e monumentos da cidade e representações de trabalhos e actividades agrícolas.

O autarca afirmou que foram feitas reuniões com os actuais vendedores do mercado diário e das lojas que se situam na cintura envolvente, tendo sido apresentada como alternativa para funcionamento ao longo dos 12 meses previstos de duração da obra o antigo pavilhão do artesanato, situado no Campo Emílio Infante da Câmara. Este espaço será adaptado a esta função até Abril de 2019, afirmou, adiantando que a solução temporária foi bem aceite pelos vendedores.

Ricardo Gonçalves disse esperar que, ao contrário do que tem sucedido com outras obras, o concurso para a reabilitação do mercado não fique deserto e que a obra se possa iniciar na data apontada.

Quanto à requalificação, Paulo Durão afirmou que o objectivo é resolver os problemas existentes nas estruturas de alvenaria, nas coberturas e nas infraestruturas (eléctrica, de água e de saneamento), "mantendo todas as características notáveis do edifício", ocorrendo as maiores alterações na "lógica funcional".

O arquitecto propõe que a grande praça interior dê lugar a quatro praças mais pequenas, numa divisão criada pelas 26 bancas do mercado diário (que se mantém), para as quais se passará a fazer a abertura das lojas que se distribuem pela estrutura exterior.

Estas lojas serão destinadas a restauração, comércio a retalho e de conveniência e serviços, passando, por exemplo, a acolher o posto de turismo, e apostando no "comércio de proximidade/qualidade de produtos locais/exclusivos".