Os Serões do Convento: um clássico dos “romances para homens” ganha asas

A obra atribuída a José Feliciano de Castilho tem agora uma edição em ebook publicada pela INDEX ebooks, editora especializada em literatura gay em língua portuguesa.

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A ilustração o jornal carioca Careta publicou em 1914 dr
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A capa do ebook dr

A obra Os Serões do Convento, de M. L. (atribuído em 1926 a José Feliciano de Castilho, que nasceu em Lisboa em 1810 e morreu no Rio de Janeiro em 1879, e era irmão do poeta António Feliciano de Castilho) está disponível desde o final de Agosto para compra por um euro em versão ebook nas lojas Google Play, Amazon, Wook, Kobo, Apple iBookstore). Esta edição em livro electrónico pertence à INDEX ebooks, uma editora portuguesa que se autodefine como “especializada em ebooks de literatura gay em língua portuguesa a preços low-cost”. O livro, que se inclui na categoria dos “romances para homens” do século XIX e cujo original foi encontrado em 1862 no Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, tem nesta edição um prefácio dos professores brasileiros Helder Thiago Maia e Mário César Lugarinho, doutores em Literatura Comparada e Letras. Nele explicam que a obra Os Serões do Convento “é parte da historiografia literária LGBT brasileira e portuguesa, por apresentar personagens dissidentes, especialmente mulheres cisgêneras que se envolvem sexo-afectivamente com outras mulheres cisgêneras, assim como personagens que transitam entre a masculinidade e a feminilidade, ainda que seja com interesses principalmente sexuais”. Lembram, que no século XIX, este foi o livro pornográfico de maior circulação no Brasil (citam Alessandra El Far, a autora da pesquisa Páginas de Sensação (ed. Companhia das Letras) sobre o mercado de livros populares no Rio de Janeiro no séc. XIX). O livro de Castilho é composto por uma introdução e onze narrativas eróticas contadas pelas freiras de um convento que fica no Minho, em três noites diferentes. Ao longo do texto existem ligações em hipertexto e nesta edição pode ver-se a gravura, que o jornal carioca Careta publicou em 1914, onde o presidente brasileiro Venceslau Brás era “acusado de imoralidade por ter encontrado [na biblioteca do Palácio do Catete] Os Serões do Convento, mas não ter encontrado a Constituição”.