Opinião

Palavras, expressões e algumas irritações: ouro

“Ouro” é o metal escolhido para as medalhas que distinguem os melhores. Na semana que passou, vários atletas portugueses conquistaram-no. Dois deles em dose dupla: Fernando Pimenta, na canoagem, e Sandro Baessa, no atletismo adaptado

Substantivo masculino de origem latina (aurum), “ouro”, quimicamente falando, é o “elemento com o número atómico 79 e símbolo Au, metal amarelo-brilhante, extremamente maleável e dúctil, inoxidável e inatacável pelos ácidos, empregado em joalharia e em moedagem”. 

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Trata-se também do metal escolhido para as medalhas que distinguem os melhores. Na semana que passou, vários atletas portugueses conquistaram-no. Um deles em dose dupla: Fernando Pimenta, canoísta.

Na notícia de domingo com o título “Ouro a dobrar: Fernando Pimenta revalida título mundial no K1 5000”, escrevia-se: “Fernando Pimenta alcançou neste domingo a segunda medalha de ouro no Campeonato do Mundo de canoagem de velocidade, que terminou há pouco em Montemor-o-Velho. Na prova de K1 5000m, a mais longa distância do programa, o atleta minhoto revalidou o título alcançado no ano passado, em Racice, cumprindo o trajecto em 21m43s.”

Na véspera, já o atleta tinha vencido a prova em K1 1000m. No entanto, não teve direito a “tempo de antena” significativo, pois era dia de bola e havia disputa entre Sporting e Benfica. O “desporto-rei” arrastou os “vassalos”.

Também nas provas de atletismo adaptado, que decorreram na Alemanha, Portugal brilhou e provocou uma “chuva de ouro” (que significa “grande abundância”). Das 17 medalhas conquistadas, sete têm “cor amarela brilhante” e houve também direito a dose dupla para Sandro Baessa (400 e 800 metros T20).

Os outros vencedores foram Cristiano Pereira (1500 metros T20), Carolina Duarte (400 metros T13), Luís Gonçalves (200 metros T12), Carina Paim (400 metros T20) e Mário Trindade (100 metros T51/52). Também eles quase sempre meio-escondidos entre as persistentes notícias, comentários e análises à volta do futebol.

“Ouro”, “em pintura, desenho e gravura, na falta da cor metálica, designa-se por um ponteado muito miúdo”. Em sentido figurado, traduz-se por “aquilo que tem grande estima, grande valor, que é moralmente inestimável”. Há uma planta da serra de Sintra que se chama “ouro-vale”. A expressão “ouro sobre azul” traduz-se por “uma coisa excelente, maravilhosa, que se conjuga com outra também muito boa”. No plural, “ouros” é “um dos quatro naipes do baralho de cartas de jogar”.

Nota — O facto de o apelido do canoísta ser igual ao de quem está deste lado é mera coincidência. Mas temos pena.

A rubrica Palavras, expressões e algumas irritações encontra-se publicada no P2, caderno de domingo do PÚBLICO