Crónica de jogo

FC Porto exorciza fantasmas em noite de regressos

Conceição lançou Militão e Marega para combater a depressão, mas o Dragão só descansou depois de o maliano consumar a vitória frente a um Moreirense que tentou reabrir a ferida do campeão.

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LUSA/MANUEL FERNANDO ARAUJO

Foi superado o trauma no Dragão, onde o FC Porto lutou contra o fantasma das recuperações de Belenenses e Vitória, suando para vencer, por 3-0, os medos e um Moreirense ambicioso, na 4.ª jornada da Liga. O antídoto escolhido por Sérgio Conceição para recuperar do efeito paralisante da derrota com o V. Guimarães custou a titularidade à dupla mais jovem, com Diogo Leite a abrir espaço para a estreia de Militão, no eixo da defesa, e André Pereira, sacrificado em nome da absolvição de Marega, que fez a estreia a titular esta época.

Com Brahimi recuperado mas uns furos abaixo do habitual e a novidade Danilo Pereira apto a saltar do banco de suplentes, onde também surgiu Corona, o FC Porto reunia condições para rectificar o resultado da jornada anterior. Mas ao escolher campo, dando a bola de saída ao Moreirense, o “dragão” permitiu que o adversário validasse a análise elogiosa feita por Sérgio Conceição, revelando uma predisposição salutar e uma atitude agressiva e destemida, na tentativa de surpreender e reabrir a ferida ainda fresca do campeão nacional.

Avisados, os portistas impuseram-se e levaram o jogo para terrenos seguros, acabando por entrar de assalto na área de Jhonatan. O lance entre Aboubakar e Loum, aos 9’, em que o árbitro assinalou prontamente a marca da grande penalidade, acabaria por mostrar que o VAR não tinha, desta vez, sido afectado por problemas técnicos, sugerindo a Hélder Malheiro o visionamento que levou o juiz de Lisboa a alterar a decisão. Foi assinalado canto, considerando-se que o contacto entre o médio do Moreirense e o avançado portista não justificava o castigo máximo.

Mas volvidos cinco minutos, em novo canto, o FC Porto marcava por Herrera, com Neto a colocar o mexicano em jogo após assistência de Militão. O VAR voltou a impor um compasso de espera, mas tudo estava regular no remate.

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Livescore

O FC Porto estava na frente e obrigava o Moreirense a redobrar esforços para evitar que o destino ficasse logo ali traçado.
Com Brahimi distante, o FC Porto encontrava em Otávio e Maxi as alavancas de que precisava para acender a chama de Marega e Aboubakar. E foi numa triangulação iniciada pelo camaronês, em que Otávio rasgou uma avenida para o maliano, que o remate de Marega devolvido pelo poste voltou ao pé de Aboubakar, que assinou o segundo golo da noite.

Em circunstâncias normais, o FC Porto poderia descansar e começar a pensar em gerir o resultado ou chegar à goleada. Mas as experiências recentes, e traumatizantes, mantiveram todo o estádio de sobreaviso. O “dragão” tinha de matar o jogo para evitar o sofrimento do Jamor e o escândalo da derrota com o V. Guimarães, jogos em que também dispôs de uma vantagem de dois golos.

Ciente desta realidade, o Moreirense fez tudo o que estava ao seu alcance para regressar à discussão, tendo plantado a dúvida na mente dos jogadores da casa, que regressaram para a segunda parte claramente afectados pela síndrome dos dois últimos embates.

Mesmo antes de construir o primeiro lance de golo, o Moreirense mexia com os nervos do “dragão”, com Felipe a patrocinar as investidas dos “cónegos”. Valeu Militão a compensar um equívoco do brasileiro numa altura em que o FC Porto se limitava a tentar explorar a profundidade e a ver o adversário ameaçar Casillas num par de lances.

O campeão demorou a libertar-se dos fantasmas e quando o conseguiu, depois da explosão de adrenalina injectada pelo regresso de Danilo, que regressou à competição após seis meses de ausência, poderia ter tido uma factura alta para pagar. Valeu a ineficácia dos minhotos, que justificaram um golo pela atitude, disponibilidade e coragem para se exporem a uma guilhotina que esteve enferrujada até à aparição do carrasco Marega (3-0), já no tempo de compensação.