Em Julho o Chile investigava 38 casos de abusos na Igreja, agora são 119

Há mais denúncias, e foram feitas buscas em instituições católicas que permitiram descobrir pistas, diz o Ministério Público de Santiago. O chefe da Igreja chilena está em prisão preventiva por encobrir abusos.

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Uma das váris igrejas chilenas atacadas em Janeiro, em protesto contra a visita do Papa Christian Iglesias/REUTERS

O número de casos de abusos sexuais investigados na Igreja Católica chilena mais do que triplicou em relação ao mês passado, anunciou o Ministério Público de Santiago: passaram de 38 para 119. Entre as 167 pessoas investigadas há sete bispos e 96 padres, sob suspeita de vários tipos de abusos a 178 vítimas, nas quais se incluem 79 que eram menores à data dos crimes.

Este aumento, anunciado em comunicado pela justiça chilena, deve-se a um aumento das denúncias, desde que se tornaram públicos os primeiros casos, explicou Luis Torres, chefe da unidade de delitos sexuais do Ministério Público chileno, citado pelo jornal La Tercera. Mas também porque nas últimas semanas realizaram-se buscas em várias instituições da igreja chilena, entre as quais a sede da Conferência Episcopal e da Congregação dos Irmãos Maristas, nas quais foi possível reunir mais provas que levaram à abertura de novos inquéritos, explica o Le Monde.

Quanto à identidade dos imputados, em especial dos sete bispos, apenas se sabe que o cardeal Ricardo Ezzati – o chefe da igreja católica do Chile, italiano de nascimento mas naturalizado chileno em 2006 – foi colocado em detenção provisória em Julho, pelo período de seis meses, e chamado a declarar em tribunal pelo procurador da região de O’Higgins, que investiga um alegado encobrimento de abusos sexuais de Óscar Muñoz, o seu antigo braço direito, que é acusado de ter abusado de pelo menos sete menores entre 2002 e 2018. Mas o seu depoimento foi adiado, sem que tenha sido marcada nova data, a pedido dos seus advogados.

Chile é um país onde o escândalo dos abusos sexuais na Igreja Católica está em carne viva, depois de uma agitada visita do Papa Francisco no início do ano. Inicialmente o Sumo Pontífice disse que não havia provas das acusações, mas depois percebeu que estava mal informado e iniciou-se uma torrente de denúncias e investigações, com os bispos chilenos a colocarem os cargos à disposição do Papa.

Quando foram conhecidas as suspeitas sobre Ezzati, o cardeal celebrou uma missa na catedral de Santiago em que muitos fiéis levaram cartazes para protestar contra os abusos cometidos por padres de diferentes congregações, relata o Le Monde.

No início de Agosto, os bispos chilenos pediram desculpa publicamente por terem “faltado ao seu dever de pastores, e não terem escutado, acreditado, recebido ou acompanhado as vítimas dos graves pecados e injustiças cometidas pelos padres e pelos membros da igreja”, no fim de uma assembleia extraordinária da Conferência Episcopal.