PS-Açores quer voto electrónico nas eleições regionais

Vasco Cordeiro apresentou a moção que vai levar ao congresso regional do partido, em Setembro. Mais do que uma estratégia política interna, o documento defende alterações profundas no sistema autonómico.

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Enquanto líder do governo açoriano, Vasco Cordeiro tem assento no Conselho de Estado LUSA/ANTÓNIO ARAÚJO

O presidente do PS-Açores, Vasco Cordeiro, apresentou esta sexta-feira a moção política que vai levar ao XVII Congresso Regional do partido, marcado para Setembro, na qual defende a adopção do voto electrónico nas eleições regionais e a criação de círculos eleitorais para cada uma das regiões autónomas no caso das europeias. Mas Vasco Cordeiro também quer assento no Conselho de Ministros.

“O PS-Açores defende a criação de um círculo regional próprio de cada região autónoma para a eleição dos deputados ao Parlamento Europeu”, sublinhou Cordeiro aos jornalistas, durante uma conferência de imprensa em Ponta Delgada, São Miguel, lembrando que este modelo existe em países de “forte tradição regional” como a Itália (cinco círculos eleitorais), Bélgica (três), Polónia (13) ou Irlanda (três).

Sobre a presença do líder do governo regional nas reuniões de ministros da República, o que Cordeiro pede exactamente é a presença obrigatória do presidente açoriano no Conselho de Ministros, sempre que aí sejam tratadas matérias que digam respeito ou sejam do interesse da região autónoma.

Cordeiro, que foi reconduzido nas eleições directas de Junho com 97,89% dos votos para um terceiro mandato à frente do PS açoriano, pretende também implementar alterações profundas no sistema eleitoral açoriano. À cabeça está a “adopção do voto electrónico nas eleições para a assembleia legislativa” açoriana, mas Cordeiro também defende um sistema de listas abertas. Com isto, explicou o chefe do governo açoriano, os eleitores não só escolhem o partido em que querem votar como definem a ordenação dos candidatos dessa mesma força eleitoral.

A moção ‘Pelos Açores Com os Açorianos’, que Vasco Cordeiro vai levar ao congresso marcado para 14, 15 e 16 de Setembro, na Praia da Vitória (Terceira), é dividida em três áreas de intervenção – ‘Afirmar os Açores’, ‘Reforçar a Coesão’ e ‘Qualificar a Democracia’ – e é assumidamente mais do que um documento de estratégia partidária.

“Este não é um documento sobre o PS. É sobre o futuro dos Açores. Não é um documento sobre os socialistas. É sobre a vida dos açorianos”, frisou Vasco Cordeiro, acrescentando que mais do que olhar para o passado, a moção aponta para a frente, para o futuro. “Para aquilo que é necessário fazer, alterar, modelar, aprofundar. Para aquilo que é necessário para dar a melhor a resposta aos desafios das famílias, das empresas, no fundo aos desafios do povo açoriano”, sintetizou.

O documento, que volta a insistir na necessidade de extinguir o cargo de representante da República, “atribuindo as competências dessa entidade a órgãos regionais, criados ou a criar” e quer a eliminação da “proibição constitucional” de partidos regionais.