Presidente argentino pede um adiantamento de fundos do FMI para tranquilizar mercados

A queda da moeda nacional para mínimos históricos levou o Presidente argentino a anunciar que tinha pedido uma antecipação do empréstimo feito pelo FMI.

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Mauricio Macri é Presidente da Argentina desde 2015 Reuters/HANDOUT

O Presidente da Argentina Mauricio Macri anunciou nesta quinta-feira que pediu ao Fundo Monetário Internacional um adiantamento da entrega de fundos do empréstimo, no valor total de 50 mil milhões de dólares. Com a antecipação do empréstimo, a Argentina quer afastar preocupações de que o país não vai conseguir cumprir as suas obrigações de débito no próximo ano. O líder da Argentina não esclareceu o valor da primeira parcela do empréstimo.

Numa declaração ao país transmitida pelas televisões, Macri anunciou que a instituição tinha concordado em “antecipar os fundos necessários para garantir o cumprimento do programa financeiro no próximo ano”, cita a Associated Press.

O acordo entre a Argentina e a instituição liderada por Christine Lagarde foi assinado em Junho deste ano. O crédito concedido pelo FMI estipulava um empréstimo de 50 mil milhões de dólares à Argentina (aproximadamente 42 mil milhões de euros), que devem ser pagos ao longo de três anos. O objectivo do pedido de ajuda é travar a subida da inflação e a descida descontrolada do peso.

À data, o Governo argentino chamou-lhe “financiamento preventivo”, mas esta semana o receio de um descontrolo financeiro intensificou-se.

Na terça-feira, a volatilidade do mercado de divisas levou a desvalorização da moeda nacional, o peso, a atingir um novo recorde, negociando a 32,07 unidades por um dólar. Face a esta vulnerabilidade do mercado financeiro, o Presidente argentino deu conta de “demonstrações de falta de confiança nos mercados” argentinos. Ainda assim, Mauricio Macri insiste que se trata apenas para afastar a incerteza dos mercados.

O programa de austeridade exigido pelo FMI inclui a supressão de postos de funcionários públicos e a redução de impostos sobre algumas exportações.

Esta não é a primeira vez que a Argentina recorre a um crédito do Fundo Monetário Internacional. É à instituição que muitos argentinos atribuem a responsabilidade pelos piores anos de crise económica do país, resultado das apertadas medidas de austeridade em 2001. Nesse ano, um em cada cinco argentinos estava desempregado.