Morreu o coreógrafo Paul Taylor, o último gigante da dança moderna americana

Com uma carreira de seis décadas, era um dos mais aclamados coreógrafos norte-americanos. Morreu aos 88 anos.

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Paul Taylor (à esq) fotografado em 1970 Jack Mitchell/Getty Images

O coreógrafo Paul Taylor morreu na quarta-feira, aos 88 anos, num hospital de Nova Iorque, na sequência de uma falha renal. Com uma carreira de seis décadas, era um dos mais aclamados coreógrafos norte-americanos e considerado um dos pioneiros da modern dance.

A morte de Paul Taylor foi avançada na quinta-feira pela companhia na sua página no Facebook: “É com enorme tristeza que partilhamos a notícia da morte de Paul Taylor ontem aos 88 anos. Sentiremos muito a sua falta, mas as suas peças viverão para sempre.”

O jornal New York Times sublinha que as inúmeras criações de Paul Taylor espelham “uma vasta imaginação poética”, “uma capacidade para alegria” e uma “musicalidade lírica”, com um trabalho que começou no experimentalismo radical dos anos 1950. Aos 20 anos era um bailarino extremamente dotado, tendo sido intérprete de obras dos “papas” da dança norte-americana como Merce Cunningham, Martha Graham e George Balanchine. 

Ao longo dos anos 1950, com uma primeira obra datada de 1954, apresentou várias coreografias marcadas pela vanguarda, algumas em colaboração com o artista Robert Rauschenberg e com música de John Cage. Nos anos 1960, começou a sua colaboração com o pintor Alex Katzm, numa associação que chega até este século. Os dois, segundo o New York Times, fizeram duas das obras mais aclamadas da famosa Paul Taylor Dance Company, a companhia de dança que criou em 1954: Sunset (1983) e Last Look (1985). O reconhecimento internacional chegou com obras como Aureole (1962, com música de Handel) e Orbs (1966, de Beethoven), com nomes como Rudolf Nureyev a dançarem as suas obras.

Sem uma linguagem tão marcada como Cunningham ou Graham, Paul Taylor integrou várias influências nas suas coreografias, naquilo que se pode chamar uma síntese entre a modern dance e o ballet clássico. Era considerado o último sobrevivente dos gigantes da dança moderna americana. Segundo o Washington Post, os seus trabalhos combinam "uma imaginação com forte pendor dramático e os movimentos naturais, de todos os dias, elevados a um nível virtuoso”. Ele era um bom contador de histórias em palco: Last  Look, por exemplo, é sobre a vida de um homeless.

A companhia Paul Taylor esteve várias vezes em Portugal, a primeira das quais em 1973, no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian.