Governo da Índia acusado de intolerância após detenção de cinco activistas políticas

Os activistas são suspeitos de ligação a guerrilheiros maoístas e de terem participado num comício que levou ao confronto entre os elementos na base do sistema de castas hindu e grupos de direita.

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O primeiro-ministro Narendra Modi está a ser acusado de intolerância aos activistas que discordam da política do Governo indiano Stringer/Reuters

Depois de uma série de buscas em várias cidades na Índia, cinco activistas foram detidas por suspeita de estarem ligados a grupos de guerrilheiros maoistas. A decisão já motivou acusações de grupos de defesa de direitos civis, advogados e sindicatos de que o Governo de Narendra Modi está a tentar intimidar os seus críticos.

A polícia acusou também estes activistas de participarem num comício no Oeste da Índia, em 2017, que terá dado origem a confrontos entre os dalits — o grupo que está na base da hierarquia de castas hindu — e organizações de direita.

A activista e sindicalista Sudha Bharadwaj, que tem estado envolvida na luta pelos direitos dos trabalhadores, foi uma dos cinco activistas detidos. Em prisão domiciliária, Bharadwaj disse aos jornalistas à porta de sua casa em Faridabad, uma cidade próxima de Nova Deli, que durante as buscas a polícia apreendeu computadores portáteis, telemóveis e até as senhas desses equipamentos.

Bharadwaj disse ainda que “todos os que estão a fazer oposição ao regime estão a ser cercados”. Independentemente da sua luta.

Os outros activistas detidos foram Vernon Gonsalves e Arun Ferreira, de Bombaim, Gautam Navlakha, de Nova Deli, e Varavara Rao, um poeta de Hyderabad, no Sul do país.

Grupos de direitos humanos estarão a preparar marchas de protesto em Nova Deli e Bombaim. Entretanto, a NDTV (televisão de Nova Deli) avança que esta quarta-feira foi entregue uma petição ao Supremo Tribunal a pedir a libertação dos activistas.

Comícios e guerrilheiros maoistas

Um polícia envolvido no caso disse que o principal motivo que levou à prisão dos cinco activistas, acusados com base na “lei de prevenção de actividades ilegais”, foi a participação num comício no final de 2017. No dia a seguir ao evento, onde se comemorava a importância dos dalits, irromperam confrontos entre estes e grupos de direita.

Além disso, o polícia diz que foram encontrados documentos relacionados com os guerrilheiros maoistas que lideram a luta pelos direitos dos sem-terra indianos.

O líder do principal partido da oposição, Rahul Gandhi, disse que as últimas incursões do Governo mostram que este tem pouca tolerância para activistas, excepto quando se tratam de grupos que partilham a sua ideologia.

"Encerre todas as outras organizações não-governamentais. Prenda todos os activistas e dispare contra os que reclamam. Bem-vindo à nova Índia", disse Gandhi no Twitter.

No Twitter também já há relatos de outras detenções relacionadas com manifestações contra a prisão dos activistas políticos.