Reconstrução

Pedrógão Grande: Marcelo sugere intervenção da Inspecção-Geral das Finanças

De regresso aos concelhos atingidos pelos incêndios, o Presidente sugeriu que a Inspecção-Geral das Finanças abra um inquérito, “uma vez que lhe pertence também o acompanhamento do fundo Revita”.

Presidente na segunda fase das férias no interior
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Presidente na segunda fase das férias no interior LUSA/PAULO NOVAIS

O Presidente da República espera que fique esclarecida até ao fim do ano a situação sobre as alegadas fraudes na reconstrução de casas afectadas pelo incêndio de Pedrógão Grande.

“É bom estar uma investigação criminal em curso, se necessário a Inspecção-Geral das Finanças, uma vez que lhe pertence também o acompanhamento do fundo Revita e, sobretudo, que não se demore muito tempo”, afirmou esta segunda-feira Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas antes de dar um mergulho na praia fluvial da Louçainha, em Penela, concelho do distrito de Coimbra afectado pelo grande incêndio de Pedrógão Grande de 2017.

O Presidente da República frisou que as alegadas irregularidades já foram faladas em Julho (devido a uma reportagem da revista Visão) e foram agora novamente abordadas (por uma reportagem da TVI), sendo que espera que “se entre no próximo ano com isto esclarecido”.

Já na altura em que foram conhecidas as suspeitas, tinha exigido que se viesse a saber “como” e “quando” aconteceram os factos. “Há que apurar o que correu mal”, “se foi a definição de critério ou se foi a aplicação dos critérios, se foi na fase da comissão técnica ou na fase do conselho de gestão, como foi, quando foi”, disse em Coimbra a 20 de Julho.

Agora, insistiu que “não pode haver dúvidas quanto à utilização do dinheiro dos portugueses. Os portugueses dão, são generosos, mas não podem ficar com dúvidas”, assinalou Marcelo Rebelo de Sousa. Para o chefe de Estado, se há dúvidas “quanto à lisura do comportamento, não pode deixar de merecer uma investigação e uma investigação profunda”, por forma a dissipar quaisquer dúvidas.

“Houve muitos responsáveis a apreciar [os processos] e os portugueses querem respostas e respostas rápidas. Espero que não sejam respostas para daqui a muitos anos”, alertou.

Na praia fluvial da Louçainha, onde tirou as habituais selfies e fotografias com a população, Marcelo Rebelo de Sousa deu um mergulho acompanhado de algumas crianças que se encontravam naquele espaço, apesar de o tempo estar nublado e com alguma chuva. “A chuva já intimidou, mas agora está óptimo”, disse.

Vinte minutos depois de visitar a praia e dar um mergulho rápido, voltou à vila do Rabaçal, também no concelho de Penela, para visitar uma queijaria, onde não se cansou de elogiar os queijos que ia provando.

Por estes dias, Marcelo Rebelo de Sousa vai passar por concelhos afectados pelo grande incêndio de Pedrógão Grande, em Junho de 2017, procurando promover o turismo naquela região. Depois de Penela, e sem uma agenda pré-definida, vai ainda passar pelos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos. “Há muita coisa bonita para ver aqui. E penso que já produziu alguns efeitos, porque já vi alguns políticos a percorrerem em férias a região Centro. Mas sobretudo vi muitos turistas. A ideia é chamar a atenção para programas que podem fazer: um fim-de-semana, dois dias, três dias, um dia e meio. Venham cá”, apelou.

Antes de tirar duas semanas de férias no Algarve, Marcelo visitou também, na primeira semana de Agosto, alguns dos concelhos afectados pelos incêndios de Outubro do ano passado. Na altura, ainda acreditava que os restantes políticos corresponderiam ao seu apelo para passarem férias no interior fustigado pelos fogos de 2017. “Se Deus quiser, isso vai acontecer muito. Eles já anunciaram que virão aqui e por aqui andarão só que têm calendários diferentes. Vão ver que eles vão aparecer”, disse o Presidente.

Foi nessa primeira fase de férias que o Presidente da República ficou a saber da saída de Pedro Santana Lopes — seu antigo aliado na tendência Nova Esperança — do PSD. Aí Marcelo mostrou-se preocupado com “a fragmentação da oposição”: “O que me preocupa é que a oposição não se fragmente de tal maneira que deixe de ser alternativa de poder.” “Não se muda de família”, comentou sobre a saída de Santana Lopes.