Feira lança ciclo de concertos de órgãos de tubos

Festival arranca no domingo na Igreja de Mosteiro e prossegue depois com espectáculos na Igreja dos Loios, na Feira, e ainda em Nogueira da Regedoura e Santa Maria de Lamas.

Santa Maria da Feira acolhe a partir de domingo um ciclo musical com quatro concertos de órgão de tubos em igrejas do concelho por músicos de três países, sempre ao domingo e com entrada livre.

Organizado pela autarquia, a primeira edição do Ciclo de Órgão de Tubos de Santa Maria da Feira irá concretizar-se ao ritmo de um concerto por semana e estará a cargo de organistas de três nacionalidades: o português Rui Soares, a espanhola Esther Ciudad e o italiano Matteo Imbruno.

Propondo-se dar a conhecer o que o município descreve como "os magníficos órgãos de tubos do património religioso do concelho", a iniciativa arranca no domingo na Igreja de Mosteirô e prossegue depois com espectáculos na Igreja dos Lóios, na Feira, e ainda em Nogueira da Regedoura e Santa Maria de Lamas.

"O Ciclo de Órgão de Tubos de Santa Maria da Feira pretende resgatar e valorizar parte da memória musical do concelho", adianta fonte da autarquia. "Trata-se de um conjunto de quatro concertos que vão permitir usufruir da diversidade de quatro órgãos históricos, protagonistas de concertos únicos", realça.

Correspondendo aos princípios do projecto de descentralização cultural "Artes em Itinerância", os concertos do novo ciclo musical da Feira terão início sempre às 17h30 e vão apostar em "algumas das obras dos mais importantes compositores nacionais e estrangeiros".

Para melhor compreensão do repertório musical e contexto cultural em causa, os concertos serão, aliás, "antecipados por um breve momento de enquadramento histórico e técnico sobre cada órgão, seduzindo o público para a diversidade deste património, assim como para as suas possibilidades".

O primeiro concerto do ciclo realiza-se no próximo domingo em Mosteirô e dará a conhecer pelas mãos de Rui Soares um órgão Eisenbarth que, concebido por essa marca de engenharia em 1966 para a capela do hospital da cidade de Passau, na Alemanha, veio mais tarde, em 2014, para a referida freguesia da Feira.

"Trata-se de um instrumento com 19 registos distribuídos entre dois manuais de 56 notas e uma pedaleira de 30 notas", refere a autarquia. "É um órgão com dois corpos, sendo que o maior contém os tubos do 1.º manual ao centro e os da pedaleira nas laterais, enquanto o segundo corpo se encontra semi-suspenso sobre o arco do coro alto, contendo a tubaria do 2.º manual", explica.

Já na sede do concelho, será Matteo Imbruno quem no dia 9 fará ecoar pela Igreja dos Lóios o órgão 748 da firma C. F. Walcker, que o fabricou em 1896.

"É um instrumento completamente mecânico com quatro registos e um manual, sendo a pedaleira acoplada ao teclado de apenas 12 notas", descreve a mesma fonte. "No decorrer dos trabalhos de recuperação do órgão, foi vista em várias peças interiores do instrumento a inscrição 'Oporto', o que indica que o órgão foi feito de propósito para Portugal", realça.

Em Nogueira de Regedoura, por sua vez, a solista será a espanhola Esther Ciudad, que aí irá explorar as ressonâncias de outro órgão Walcker, em concreto o que foi fabricado para a paróquia Protestante de Berlim em 1962 e depois transferido para a igreja dessa freguesia portuguesa em 2010.

"Trata-se de um instrumento mecânico de 15 registos distribuídos por dois manuais de 56 notas e uma pedaleira de 30 notas. Pelas suas características sonoras, remete-nos facilmente para a execução de todo o reportório da época barroca europeia", informa a câmara.

Para encerrar a edição de 2018, o último concerto do ciclo também estará a cargo de Rui Soares e revelará na Igreja de Lamas a sonoridade própria de um órgão concebido na oficina parisiense de Aristide Caivallé-Coll, apontado como "um dos organeiros mais famosos da Europa do século XIX".

Sobre esse instrumento específico, "tudo indica tratar-se do órgão de tubos encomendado pela Santa Casa da Misericórdia de Matosinhos para a Igreja do Bom Jesus" e, a avaliar por uma pequena placa, oferecido à paróquia de Lamas por Rosa Amorim no Natal de 1965.

"Trata-se de um instrumento completamente mecânico com cinco registos, um manual e uma pequena pedaleira acoplada. Também está dotado de meios registos, o que permite alargar as suas possibilidades sonoras", conclui a autarquia.