Aretha Franklin não deixou testamento, mas a PETA já sabe o que fazer com os seus casacos de pele

Os bens da cantora deverão ser divididos pelos quatro filhos, mas não sem antes serem expostos ao público. A PETA pediu para doarem a "vasta colecção" de casacos de pele da artista.

Foto
LUSA/JEFF KOWALSKY

Aretha Franklin não deixou testamento ou qualquer tipo de fundo antes de morrer, a 16 de Agosto, de cancro no pâncreas, de acordo com o Detroit Free Press. Significa isto que as finanças da lenda de soul – que valorizava a privacidade – serão provavelmente expostas de forma pública, em tribunal. Entretanto, a PETA veio pedir para que a colecção de casacos de pele da cantora sejam doados.

Na semana passada, os quatro filhos da cantora entregaram um documento em tribunal que os listava como partes interessadas no seu património. Uma das sobrinhas de Franklin pediu ao tribunal para ser designada representante pessoal do património. Segundo o jornal local, a lei de Michigan (estado onde a cantora vivia, em Detroit), se uma pessoa não casada morrer sem testamento, os seus bens são divididos igualmente entre os filhos.

"Andei atrás dela durante anos para que fizesse um fundo. Teria acelerado as coisas e teria garantido que não era alvo de legitimação de testamento, mantendo alguma privacidade", conta ao Detroit Free Press o advogado que representou Aretha Franklin em questões ligadas à indústria do entretenimento nos últimos 28 anos, Don Wilson.

Segundo Wilson, é impossível estabelecer, neste momento, um valor monetário sobre o catálogo de canções de Franklin. O advogado afirma ainda que a cantora mantinha a posse de todas as suas composições originais, incluindo de hits como Think e Rock Steady.

A ausência de testamento poderá levar a uma longa batalha em tribunal pelos bens da artista, envolvendo credores ou família afastada. Wilson esteve ligado também à divisão do património do músico Ike Turner e lembra que 11 anos depois continua a haver litígio. "Apenas espero que [o património de Aretha Franklin] não acabe por ser tão intensamente contestado", comenta.

Pelo menos uma entidade já veio pronunciar-se sobre o destino de algumas posses de Aretha Franklin. Em comunicado, no final da semana passada, a organização de defesa dos animais PETA pediu aos representantes do património da cantora que doassem a sua "vasta colecção" de casacos de pele à própria associação. O objectivo é que estes sejam enviados para campos de refugiados, para instituições que apoiam sem-abrigos ou para organizações de reabilitação de vida selvagem, que podem transformar os casacos em roupa de cama para animais selvagens órfãos.

"Ao doar os casacos de pêlo de Aretha Franklin à PETA, a sua família poderá expandir o legado de justiça social aos animais", afirma a presidente-executiva da organização, Tracy Reiman, que enviou uma carta à sobrinha da cantora, publicada na íntegra no site da PETA.

As cerimónias fúnebres da cantora serão realizadas na próxima sexta-feira, 31 de Agosto, na cidade de Detroit.