Psicologia

Aos dois anos, os bebés já se preocupam com a forma como são vistos pelos outros

Um estudo feito por psicólogos mostra que as crianças (mesmo antes de conseguirem falar) moldam o seu comportamento para agradar a quem as esteja a observar.
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"Há algo inerentemente humano na forma como somos sensíveis ao olhar dos outros", diz co-autor do estudo Kazuend/Unsplash

Aos 24 meses, os bebés ainda não conseguem falar, mas já têm noção da sua imagem e de que são julgados pelos outros — moldando o seu comportamento em função disso. É esta a conclusão de uma investigação feita por psicólogos da Universidade de Emory (Atlanta, EUA) e publicado na revista científica Developmental Psychology

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“Mostramos que, aos 24 meses, as crianças não só estão cientes de que os outros as estão a avaliar, mas também alterarão o seu comportamento para tentar obter uma resposta positiva”, resumiu a principal autora do estudo, Sara Valencia Botto.

Os investigadores analisaram o comportamento de 144 crianças com idades entre os 14 e os 24 meses. Estudos anteriores já tinham mostrado esta preocupação ligada à reputação em crianças com quatro e cinco anos, mas não em idades inferiores.

Num dos exercícios, as crianças tendiam a brincar de forma mais desinibida quando não estavam a ser observadas. Noutro exercício, os investigadores entregavam um brinquedo telecomandado às crianças enquanto diziam “uau, que bom” a sorrir e, em simultâneo, entregavam um outro brinquedo telecomandado dizendo “ups, oh não”.

Quando estavam a ser observadas, as crianças brincavam mais com o comando associado a uma resposta positiva; já quando ninguém olhava para elas, brincavam mais com o comando associado à resposta negativa. Foram feitos mais testes que também indicavam que o comportamento da criança dependia de se estava, ou não, a ser observada.

“Há algo inerentemente humano na forma como somos sensíveis ao olhar dos outros, e de como somos sistemáticos e estratégicos a controlar esse olhar”, considerou o professor de psicologia Philippe Rochat, também autor do estudo. “Muitas pessoas dizem ter mais medo de falar em público do que medo de morrer. Se queremos entender a natureza humana, precisamos de entender quando e como é que esta preocupação com a imagem surge”, completa Botto.