Catarina Martins foi a França “malhar” em Centeno e no PS

Líder do BE diz que os socialistas mantêm-se alinhados “com a ortodoxia neoliberal europeia”.

catarina Martins
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Catarina Martins esteve em Marselha num encontro organizado pela França Insubmissa LUSA/OCTÁVIO PASSOS

Catarina Martins discursou este domingo em Marselha num encontro organizado pela França Insubmissa, partido liderado por Jean-Luc Mélenchon. E não poupou críticas a Mário Centeno, ao PS e sobretudo à União Europeia (UE).

Segundo o discurso em português que o BE cedeu ao PÚBLICO ­- Catarina discursou em francês -, a líder do bloco lembrou as recentes declarações do ministro das Finanças português e presidente Eurogrupo, quando foi anunciado o fim do programa da troika, em que este afirmou que “a Grécia tinha regressado à normalidade e que terá agora de agir com responsabilidade.”

“E o que significa o pedido de ‘responsabilidade’ à Grécia? Duas coisas, igualmente graves. Em primeiro lugar, que a UE continua a culpar os povos do sul pela crise do sistema financeiro internacional (e que, portanto, não aprendeu nada com a enorme destruição a que assistimos nos últimos anos). Em segundo lugar, que continuará a exigir à Grécia a política da destruição: liberalização, desregulação, cortes e pagamentos impossíveis de uma dívida ilegítima”, afirmou.

Logo a seguir, a coordenadora do BE considerou que nesta UE “o ‘novo normal’ é viver pior e aquilo a que chamam responsabilidade não é mais do que chantagem”.

Catarina Martins sublinhou ainda que o que se passa na Grécia tem, em Portugal, “particular significado”: “Não só porque também conhecemos boa parte da receita da troika, mas também porque o presidente do Eurogrupo é o ministro das Finanças português. E parece recusar aprender com as lições da Grécia como com as de Portugal.”

Sobre Portugal e o Governo do PS, Catarina Martins disse que “são cada vez mais os que sentem que não bastam pequenos passos”. E acrescentou: “Precisamos da coragem de ir mais longe. Mas o Partido Socialista em Portugal, como no resto da Europa, mantém-se alinhado com a ortodoxia neoliberal europeia e vai repetindo: a Europa não permite, os tratados europeus não permitem. Já conhecemos todos as más desculpas de quem não quer mudar nada.”

A líder do bloco acrescentou que em Portugal foram feitas algumas reversões às medidas da troika, atribuindo-as ao “crescimento dos partidos de esquerda” que “permitiu um acordo inédito, com um governo minoritário do Partido Socialista que está obrigado a negociar com a esquerda”.