Opinião

Somos como os outros

É bom ser-se optimista mas os optimistas ainda se enganam (muito) mais do que os não-optimistas.

Estou a reler o Pensar, Depressa e Devagar, de Daniel Kahneman, saído em 2011. Faço-o por oportunismo: vou-me esquecendo das lições que ele nos deu e isso prejudica a minha maneira de pensar e de decidir.

É difícil resumir um livro que é uma série de resumos, mas aqui vai: cada pessoa perde tempo e juízo a pensar excessivamente nela própria, levando-a a tomar más decisões porque cada um de nós é só uma pessoa num mundo cheio de pessoas.

Temos por isso de passar mais tempo a pensar nas outras pessoas e sobretudo naquilo que toda a gente aprendeu com toda a gente em todas as situações no passado.

Em vez de pensar no futuro e tentar adivinhá-lo ou controlá-lo deveríamos dedicarmo-nos ao que já aconteceu e que pode ser quantificado. Em vez de imaginar como vai ser o restaurante que vou abrir deveria saber que só um em cinco restaurantes consegue sobreviver mais de três anos. Será que quero mesmo perder o meu tempo e dinheiro num negócio que só tem uma chance de 20% de sobreviver?

Ah, mas o meu vai ser diferente. Ah, mas toda a gente que abre restaurantes pensa assim. Ah, mas eu tenho uma arma secreta. Ah, mas toda a gente acha que tem.

A cultura diz-nos que somos especiais, que devemos perseguir os nossos sonhos, que vamos conseguir o que queremos – e os outros que se lixem. Mas a realidade diz-nos o contrário.

A primeira noção é uma fantasia. A segunda está estatisticamente comprovada. É bom ser-se optimista mas os optimistas ainda se enganam (muito) mais do que os não-optimistas.