Luaty Beirão diz que PCP "ainda vive no passado"

Activista reagia à notícia da retirada do seu livro da Festa do Avante!.

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O livro de Luaty Beirão narra os seus dias de prisão preventiva Enric Vives-Rubio

O músico e activista angolano Luaty Beirão lamentou que o Partido Comunista Português tenha retirado o seu livro, publicado em 2016, da Festa do Avante!, considerando que a força política "ainda vive no passado".

O autor de Sou Eu Mais Livre, Então - Diário de um Preso Político Angolano – que retrata os primeiros dias de prisão preventiva de Luaty Beirão, em 2015, quando foi acusado de rebelião e associação de malfeitores – sublinhou à agência Lusa que o PCP "faz tudo o que pode para não comprometer o MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola]", pelo que acaba por tornar-se "coerente dentro da incoerência".

Na sexta-feira, a editora Bárbara Bulhosa, da Tinta-da-China, disse que o livro de Luaty Beirão foi excluído da feira do livro da Festa do Avante!, acusação entretanto rejeitada pelo PCP, que lamentou "o mais primário anticomunismo".

No Facebook, Bárbara Bulhosa escreveu que o livro foi excluído da lista de títulos que a editora propôs para venda na Festa do "Avante!", que vai ter lugar de 7 a 9 de Setembro, no Seixal, "com o argumento que incomodaria os camaradas do MPLA que irão à Festa".

Questionado sobre o assunto pela agência Lusa, o PCP afirmou que rejeita "operações difamatórias vindas de quem, sem crédito, se move pelo preconceito e o mais primário anticomunismo".

O partido esclareceu, através do gabinete de imprensa, que a "Festa do Livro" no Avante! é da responsabilidade da editora Página a Página, "que assume os seus próprios critérios e opções editoriais, quer quanto às editoras convidadas quer quanto aos títulos à venda".

Neste sábado, em declarações à Lusa a partir de Benguela, onde se encontra como parte de uma digressão musical e para apresentar o livro em quase todo o país, Luaty Beirão criticou o facto de os comunistas portuguesas "ainda pensarem que estão em 1917 [ano da revolução russa]", esquecendo-se que o MPLA "já nada tem a ver com o marxismo-leninismo".

"Não estamos em 1917. O MPLA já não é o partido marxista-leninista do passado, pois agora está mais próximo do neocapitalismo, e o PCP ainda mantém uma postura contra quem quer pôr tudo em causa [em Angola]. Tudo o que possa comprometer o MPLA é posto de lado", afirmou o activista.

"É tudo uma grande confusão. A prioridade são as boas relações com o MPLA. É triste", acrescentou o também rapper angolano, ironizando com o facto de a decisão do PCP, "se calhar, até poderá trazer uma boa publicidade" para a venda da obra.

Luaty Beirão está a aproveitar uma digressão musical pelo país – de Benguela seguirá para o Lubango, Lobito, Huambo, Cuíto, Ndalatando, Malanje e Cabinda – para promover o livro em Angola.

Na qualidade de activista, foi uma das vozes críticas do regime angolano liderado pelo agora ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, ainda actual líder do MPLA, cargo que deverá deixar no VI Congresso do partido, marcado para 7 de Setembro.

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