PS

António Costa queixa-se de que desigualdade voltou à Europa

No final do almoço com as Mulheres Socialistas, o primeiro-ministro anunciou lista paritária ao Parlamento Europeu e documento com estratégia nacional para a conciliação da vida familar e profissional
Fotogaleria

António Costa e a mulher, Fernanda Tadeu, almoçaram neste sábado com um grupo de 200 mulheres do PS, antes da rentrée oficial do partido. No final, o primeiro-ministro discursou sobre paridade e anunciou que o Governo vai delinear uma estratégia nacional para garantir a conciliação entre a vida familiar e a profissional dos portugueses. Porque "a família não é um assunto só da mulher", disse, desculpando-se, a seguir, por estar a exigir a sua "quota de igualdade".

Atingiu o seu limite de artigos gratuitos

"Estamos em condições de propor ao Conselho Económico e Social um debate sobre uma estratégia nacional para a conciliação entre a vida pessoal e a profissional", avançou.

António Costa começou por falar no triplo desígnio do PS e do Governo - "mais crescimento, melhor emprego e maior igualdade" - para depois se centrar na desigualdade, que não tem só a ver com etnia, raça ou credos. O secretário-geral do PS lamentou, inclusivamente, que a Europa tenha retomado alguns preconceitos. "Infelizmente, a Europa hoje tem demonstrado que muitos destes factores continuam a persistir e até há governos que defendem estas formas de desigualdade".

Por isso, disse, não basta "igualdade formal", porque a Constituição da República Portuguesa (CRP) e o Código Civil já dizem tudo sobre isso. "Apesar de a CRP e de o Código Civil, esta igualdade continua a não existir e é por isso que o combate pela igualdade era um combate tão importante no final do sec XIX, no início do século XX e agora no século XXI", assumiu.

Como exemplo, Costa falou sobre a diferença de salários consoante o género. "É absolutamente intolerável que num mundo considerado de hoje, haja uma desigualdade [salarial] tão significativa entre homens e mulheres (...). Isto mostra que o combate que temos que fazer é um combate cultural profundo, de alterações das mentalidades de quem é dirigente político e também empresarial".

"E não me venham dizer que isto dos salários é um assunto dos privados porque tudo o que tem a ver com o país é uma questão política e é para isso que estamos aqui", disse antes de seguir para o encerramento da I Academia Mário Soares.

O secretário-geral do PS também aproveitou a ocasião para revelar que vai apresentar ao PS uma proposta de "uma lista paritária 50/50" para o Parlamento Europeu e que espera que os socialistas a aprovem. Não será difícil, uma vez que já em 2014, com António José Seguro, o PS concorreu às europeias com uma lista encabeçada por Francisco Assis, seguido por Maria João Rodrigues, Carlos Zorrinho, Elisa Ferreira, Ricardo Santos, Ana Gomes, Pedro Silva Pereira, Liliana Rodrigues, Manuel dos Santos e por aí em diante, sempre com uma mulher a seguir a um homem, incluindo nos suplentes.

"É nosso dever de ir à frente daquilo que a própria lei vai tornar obrigatório. E é por isso que espero que o Partido Socialista aprove a minha proposta para que a próxima lista ao Parlamento Europeu seja uma lista paritária de 50/50", disse.