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Antibes é procurada por alguns dos maiores iates do mundo DR
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O iate Sailing Yacht A, desenhado por Philippe Starck DR
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Cabo d'Antibes DR
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Antibes é muito mais que um porto seguro

Procurada por alguns dos maiores iates do mundo, esta cidade da Côte d’Azur é detentora de praias paradisíacas, mas não só. Dentro e fora de muralhas, as artes ocupam lugar de destaque, ou não tivesse este lugar inspirado génios como F. Scott Fitzgerald e Pablo Picasso.

Quem entra na Capela de la Garoupe é tentado a pensar que não é apenas por questões de conveniência ou de moda que Antibes é porto de acolhimento de milhares de marinheiros e de iates, nomeadamente os que ocupam lugares de topo na lista dos maiores do mundo — o famoso Sailing Yacht A, desenhado por Philippe Starck, é presença habitual por aquelas bandas, juntamente com muitos outros barcos de luxo. As paredes do pequeno local de culto estão carregadas de ex-votos, pinturas oferecidas por pescadores e marinheiros, em agradecimento pelas vidas salvas em naufrágios e tempestades. São várias dezenas de quadros pintados à mão, a retratar embarcações, momentos de aflição no mar ou imagens de santos, pregados ao lado de miniaturas de barcos (feitas em madeira) e de placas de mármore de reconnaissance. Várias formas de agradecer a mesma graça: a protecção divina em momento de tormenta.

Muitas vidas poupadas, a avaliar pela quantidade de agradecimentos ali expostos, mas também um ou outro final menos feliz, suspeitamos, mal os nossos olhos se cruzam com a placa que evoca um nome em particular: Martin. “Knowledge comes with deaths release”, introduz o texto em sua homenagem. Uma frase que soa a David Bowie (lembram-se da letra de Quicksand?) e a um desfecho pintado em tons de luto. As datas ali gravadas não deixam grande margem para dúvidas: 1960-1991. Martin morreu aos 31 anos, mas o seu nome viverá para sempre num santuário dedicado a Nossa Senhora do Bom Porto, santa especialmente venerada pelos homens do mar — anualmente, em Julho, saem fardados para a rua, numa procissão em sua homenagem. 

Devotos ou não, a verdade é que Antibes nos transmite, desde a primeira hora, essa sensação de porto seguro, difícil de explicar. Pode ser da sua longevidade — a cidade foi fundada pelos gregos, no século V a. C. —, da protecção que lhe é conferida pelas muralhas de pedra, da tranquilidade das águas que banham a sua costa ou da grandeza da sua marina (uma das maiores da Europa). Mas também pode ser de tudo isso e muito mais, visto que este é um daqueles destinos que tem muito para descobrir, concentrando atractivos que vão desde a praia (e que praia!) à cultura, passando pelo património. Sem a fama (e as enchentes) das vizinhas Cannes e Nice, esta cidade da famosa Costa Azul francesa é detentora de um cenário idílico e inspirador. O escritor F. Scott Fitzgerald e o pintor Pablo Picasso foram disso testemunho, ao terem escolhido aquelas paragens para viver e trabalhar, cada um na sua arte. Falar de Antibes é falar, também, da sua vila-irmã, Juan-Les-Pins. Bem como do Cabo de Antibes e das suas praias. Mas já lá vamos. Primeiro, quisemos descobrir o que a cidade esconde entre as suas muralhas, impecavelmente preservadas, caminhando por entre ruas estreitas, reservadas a peões, carregadas de pequenas lojas, restaurantes e bares. Numa ou outra viela, ainda se mantêm impecavelmente preservadas algumas casas de origem medieval, com um toque provençal: heras e flores a treparem pelas paredes e entradas e varandas adornadas por plantas verdejantes. Ouse perder-se nesse pequeno labirinto de ruelas de pedra. De repente, ao dobrar de uma esquina, dará de caras com a Catedral de Nossa Senhora de La Platea ou estará em plena Promenade Amiral de Grasse — que lhe permite caminhar em cima da muralha com vista directa para o mar.

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Mercado Provençal Getty Images

É também entre muros que está localizado aquele que parece ser, a cada manhã, um ponto de encontro entre habitantes locais e turistas e que proporciona um verdadeiro festival de fragrâncias: o Mercado Provençal, cujas bancas estão carregadas de produtos frescos, além de azeitonas, queijos. especiarias, compotas, entre outras delícias. À tarde, é a vez dos artistas e artesãos ocuparem o espaço para expor e comercializar os seus produtos — em época baixa (final de Setembro até fim de Junho) esta espécie de feira de artesanato só funciona às sextas, sábados e domingos. Quando cai a noite, o mercado continua a chamar os locais e visitantes para irem ao seu encontro, animado pelos bares que o ladeiam e onde será tentado a petiscar e a brindar.

A pintura de Picasso mora num castelo

O desafio foi-lhe lançado no Verão de 1946 e acabou por resultar, 20 anos mais tarde, num museu com o seu nome. Enquanto passava férias na cidade, Pablo Picasso foi convidado a trabalhar durante algum tempo no Castelo Grimaldi — outrora pertencente à família Grimaldi, do Mónaco, e construído no local que foi ocupado pela acrópole da cidade grega, Antipolis — e por ali acabou por instalar o seu atelier, durante dois meses. Com vista directa para o Mediterrâneo, conforme poderá testemunhar na visita ao agora Museu Picasso. O resultado dessa experiência está exposto nas salas do castelo, no piso superior, juntamente com outras peças, nomeadamente esculturas, cerâmicas e pinturas, que o artista espanhol acabou por doar ao museu.

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Mairie D'antibes

As salas do piso inferior são ocupadas com exposições temporárias e instalações artísticas, mas é fora de portas, a alguns metros de distância do castelo, que encontrará uma parte importante do espólio do Museu Picasso: duas esculturas de grandes dimensões. A primeira é assinada pelo escultor espanhol Jaume Plensa e está instalada na entrada do porto, numa esplanada virada para o mar. Talvez por isso mesmo, numa ou noutra referência, Nomade (Nómada, em português) é apontada como uma espécie de guardião da cidade. Recorrendo às letras do abecedário, uma técnica que já é também uma marca sua, Jaume Plensa criou uma estrutura de oito metros de altura, que convida o público a entrar no seu interior e a viajar com ela. Porque “as letras também têm um potencial de construção”. “Elas possibilitam-nos construir pensamentos”, defende Jaume Plensa.

Não muito longe dali, já mais próximo do Castelo Grimaldi, e igualmente plantada defronte para o mar, encontrará La Colonne à La Mer, escultura assinada pelo artista francês Bernard Pagès. Uma estrutura contemporânea, feita de pedra, betão e aço, e igualmente com oito metros de altura. Ainda que alguns possam considerá-la intrigante, no mínimo, poucos conseguirão passar ao lado sem a fotografar.

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A escultura "Nomade" DR

O roteiro pela descoberta da cultura e património de Antibes passa, ainda, pelo Forte Carré, monumento histórico que se evidencia na paisagem da vila (e não só). Esta imponente estrutura de defesa militar está plantada no alto de um rochedo com 26 metros de altura. Mandado construir na segunda metade do século XVI, pelo rei Henrique II, este forte foi um importante posto de vigilância para a fronteira vizinha do condado de Nice — hostil nessa época marcada pelas Guerras da Religião em França. Conheceu a sua primeira batalha em 1592, contra a armada do duque de Sabóia, e manteve o seu protagonismo até ao século XIX.

Hoje, vive para contar essa história — foi transformado em museu em 1998 — e proporcionar uma experiência diferente a todos aqueles que o visitam, com uma vantagem adicional: o forte é ladeado por um parque natural protegido, com uma área de quatro hectares, rico em fauna e flora mediterrânica.

Praias, mar e uma boa dose de charme

Por mais que se escreva sobre a cultura e a história de Antibes não há como dar a volta à questão. Este é um destino de sol e mar, de praias que convidam a banhos prolongados e onde não irá dar assim tanta importância ao facto de nalguns pontos da costa o areal ser algo curto ou nem sequer existir — algumas praias têm pedra em vez de areia. Aqui, a água é mesmo a estrela maior e é fácil perceber porquê. Estamos em pleno coração de Mediterrâneo e os tons turquesa são apenas o prenúncio de uma temperatura cálida. E o mais extraordinário de tudo? Debaixo de todo aquele calor, na água ou fora dela, ainda é possível avistar alguma neve nos cumes de algumas montanhas mais altas (são os Alpes-Marítimos).

Ao longo da costa de Antibes e Juan-les-Pins não faltam locais para estender a toalha, mas há alguns pontos que são, sem sombra de dúvida, míticos. Se as praias da região fossem sujeitas a uma espécie de concurso de celebridades, a praia Keller apresentar-se-ia como uma séria candidata ao primeiro lugar. Situada na baía de La Garoupe, em pleno cabo de Antibes, esta praia privada tem tanto de bonito quanto de local de fama. Figuras como Charlie Chaplin, Maurice Chevalier, Winston Churchill e Pablo Picasso estiveram entre os visitantes regulares da praia criada, em 1931, por Joseph Keller — cozinheiro e músico, consta, de grande talento —, e ajudaram a torná-la conhecida.

Actualmente, e já desde 1988, está entregue à família de Victor Bensimon — presença habitual no espaço, juntamente com a mulher e os filhos — e alberga um dos restaurantes mais referenciados da zona, o Le César, em especial pelos seus pratos de peixe. À hora de almoço, é comum ver grandes iates a ancorarem por ali. Os seus passageiros são, depois, transportados até ao restaurante em barcos mais pequenos. Um cenário sumptuoso, é verdade, mas totalmente condizente com a imagem de charme de todo o cabo de Antibes, que goza da fama de dar “guarida” a multimilionários. E as mansões que nele estão plantadas acabam por confirmar a tese.

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Gilles Lefrancq

A pé, de bicicleta ou de carro, vale a pena passear por entre as ruas desta zona. Sonhar é um direito acessível a todos e, além do mais, é também no cabo que moram atractivos importantes como o farol e a já referenciada Capela de la Garoupe. Pare, por uns minutos, lá no alto e delicie-se com toda aquela imensidão de costa que os seus olhos conseguem alcançar. “Do lado direito, conseguem avistar a costa de Cannes e Saint Tropez. À esquerda, Nice e Mónaco. E um pouco de Itália”, propala um guia que acompanha um grupo de turistas americanos. Para confirmar, atente num mapa de orientação e registe o nome de mais algumas praias de visita obrigatória e que se espalham de Antibes até Juan-les-Pins, ao longo do cabo: La Gravette, La Salis, Galice, Promenade du Soleil e Grande Plage Juan-les-Pins.

Retomando o passeio, passará pelo lendário Hotel du Cap Eden Roc — outra vez o luxo, é verdade, mas a culpa é do próprio destino —, por onde passaram Scott Fitzgerald e mais uns quantos ilustres (como a família Kennedy ou Elizabeth Taylor). O nome e a memória do escritor americano estão, também, gravados naquele que é hoje o Hotel Belles Rives, situado em Juan-les-Pins. Foi naquele imóvel, outrora designado Villa Saint-Louis, que Fitzgerald viveu, com a sua mulher Zelda, e se terá inspirado para escrever O Grande Gatsby e Terna é a noite.

Uma cidade com trejeitos americanos

Ainda que seja difícil perceber onde é que Antibes termina e Juan-les-Pins começa, cada uma destas cidades irmãs tem os seus próprios atractivos e características. Talvez por força da forte afluência de turistas oriundos dos Estados Unidos após a Primeira Guerra Mundial, Juan-les-Pins exibe um certo ar e trejeito americanos. Hotéis luxuosos, edifícios Arte Deco, bares e restaurantes animados e um casino dão a esta vila um toque extra de animação. Já lhe chamaram a “Nova Orleães da Europa”, em grande parte devido ao famoso festival Jazz à Juan, que ali ocorre, anualmente, em Julho. Lançado em 1960, já viu passar pelo seu palco lendas como Ray Charles, Ella Fitzgerald, Dizzy Gillespie and Fats Domino.

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Detentora de praias de areia fina — onde, garantem, terá nascido o esqui aquático —, Juan-les-Pins convida a longas caminhadas ao longo da Promenade du Soleil ou debaixo da frescura dos seus Jardins de La Pinède. E por falar em espaços verdes e jardins, há outros dois locais especialmente recomendados aos amantes de botânica e que podem constituir uma excelente proposta nos dias de maior calor (no Verão, a temperatura máxima anda sempre próximo dos 30 graus). O Parque Exflora e o Jardim Thuret são habitados por centenas de espécies de plantas, flores e árvores (o primeiro é de acesso gratuito; o segundo requer o pagamento de um bilhete no valor de três euros).