A Vuelta das segundas oportunidades

Várias figuras procuram na Volta à Espanha a redenção para os azares sofridos ou as épocas pouco conseguidas. Froome, o vencedor do ano passado, não estará presente. Há quatro portugueses em prova.

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Richie Porte é um dos favoritos à vitória Reuters

A partir de sábado, a Volta à Espanha, a última das três grandes Voltas a surgir no calendário, arranca para a estrada e vai colocar o pelotão à prova em 21 etapas, num total de 3254,7 quilómetros. Sem contar com as presenças de Chris Froome, o vencedor do ano passado e que já em 2018 venceu o Giro, e de Geraint Thomas, que há menos de um mês celebrou a conquista do Tour, a Vuelta surge como uma hipótese de redenção para vários dos ciclistas que alinham à partida. A 73.ª edição da prova começa sábado com um contra-relógio individual de oito quilómetros, plano, em Málaga, e terminará no dia 16 de Setembro em Madrid.

Não se pense que é um pelotão enfraquecido que vai disputar a camisola roja do líder da Vuelta. Na disputa pela sucessão a Froome estão quatro anteriores vencedores da prova: o colombiano Nairo Quintana (2016), o italiano Fabio Aru (2015), o espanhol Alejandro Valverde (2009) e o italiano Vincenzo Nibali (2010). Mas as casas de apostas vêem como grandes favoritos à vitória nesta Volta à Espanha o australiano Richie Porte (BMC) e o britânico Simon Yates (Mitchelton-Scott).

Porte (que em 2019 passará a representar a Trek-Segafredo, anunciou na quinta-feira a equipa norte-americana) e Yates são dois dos ciclistas que a partir de sábado em Espanha procuram uma segunda oportunidade para atingirem a glória. O australiano, talvez o maior dos “azarados” do pelotão, viu-se obrigado a abandonar o Tour à nona etapa, devido a uma clavícula fracturada numa queda. O azar perseguiu-o quinta-feira, tendo falhado a apresentação oficial da Vuelta 2018 com problemas gastrointestinais. Já o britânico vestiu a camisola rosa de líder da Volta à Itália durante 13 dias, mas quebrou na derradeira semana e terminaria num modesto 21.º lugar (e não esteve na Volta à França).

Há mais gente que tentará esquecer nas estradas espanholas infortúnios passados. Fabio Aru, por exemplo, que abandonou o Giro à 19.ª etapa por exaustão e depois ficou de fora do Tour. “Não me senti bem desde o início do Giro, mas continuei na esperança de que a situação melhorasse. Infelizmente isso não aconteceu e fui obrigado a abandonar. Mas agora estou em melhor condição e pronto para um grande final de temporada”, afirmou o italiano da Emirates ao diário desportivo espanhol Marca. Aru não escondeu a ambição com que parte para a Vuelta: “Não me proclamo como favorito, mas também não vou esconder-me. Sei que a Vuelta é uma corrida que se ganha dia a dia. É preciso superar 21 etapas sem cometer erros”. “Sempre rendi bem na Vuelta e por isso torno a enfrentá-la com grande entusiasmo e muita vontade de ter um bom desempenho. Oxalá conseguisse repetir o triunfo [de 2015]”, acrescentou.

Uma vértebra fracturada forçou Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) a abandonar o Tour na 13.ª etapa, mas o italiano recuperou e vai estar na Vuelta, onde no ano passado terminou em segundo lugar. Contudo, Nibali – que na ausência de Chris Froome envergará o dorsal número 1 – já admitiu que o seu objectivo em Espanha passa por preparar-se para os Mundiais de estrada, que começam em Innsbruck, na Áustria, uma semana depois da Volta à Espanha.

Vão ser quatro os ciclistas portugueses em prova: Nelson Oliveira (Movistar), José Mendes (Burgos-BH), e José Gonçalves e Tiago Machado (ambos da Katusha-Alpecin) partem com expectativas moderadas, divididos entre a ambição pessoal de lutar por vitórias em etapas e a obrigação de trabalhar para os líderes das respectivas equipas. José Gonçalves, vindo de um 14.º lugar no Giro, regressa à Vuelta após abandonos nas duas edições anteriores. “O meu trabalho dentro da equipa vai ser de apoio ao Ilnur Zakarin”, sublinhou em declarações à agência Lusa.

Os 176 ciclistas do pelotão (oito por cada uma das 22 equipas) vão enfrentar um percurso que se tornará progressivamente mais duro. No total vão ser oito etapas com chegada em alto, a primeira delas ao quarto dia de prova. As maiores dificuldades chegarão na segunda metade da Vuelta, com um tríptico de etapas de montanha (13, 14 e 15) nas províncias de Astúrias e Leão. A 14.ª, em particular, terá um final inédito com rampas a chegar aos 21% de inclinação e meta em Les Praeres de Nava. Após o segundo dia de descanso, o pelotão enfrentará o derradeiro terço da Vuelta 2018, com a 20.ª e penúltima etapa a cumprir-se integralmente em Andorra: 97,3 quilómetros com um desnível acumulado de quase 4000 metros. Ninguém disse que o caminho para a redenção ia ser fácil. com agências