Opinião

“A verdade não é verdade”

Se vivemos o tempo em que "a verdade não é verdade", as condenações desta semana dificilmente representarão uma ferida na popularidade de Trump.

A verdade é que ontem a pergunta que meios de comunicação social por todo o mundo faziam era de que forma o Presidente Donald Trump poderia vir a ser afectado por condenações judiciais do seu advogado pessoal e do seu ex-chefe de campanha. Mas o mais provável é que não venha a ser grandemente afectado. Pelo menos para já.

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O advogado Michael Cohen admitiu em tribunal ter comprado o silêncio de pelo menos duas mulheres a pedido do, na altura, candidato presidencial. Perante a lei norte-americana, este tipo de pagamentos durante uma campanha é ilegal e fica a pergunta feita pelo advogado do causídico: “Se estes pagamentos são um crime para Michael Cohen, então porque não são um crime para Donald Trump?”

O ex-chefe de campanha Paul Manafort, por sua vez, foi considerado culpado de oito dos 18 crimes de fraude financeira e fiscal de que estava acusado e pode vir a enfrentar uma pena que poderá chegar aos 80 anos de prisão. Segue-se um outro julgamento em que, entre outros crimes, está acusado de lavagem de dinheiro e de ter agido em nome de interesses estrangeiros sem o ter declarado. 

Estes são dois casos do círculo próximo do Presidente que ainda tem envolvidos em questões judiciais o conselheiro de assuntos de defesa Michael Flynn, o ex-gestor da campanha Rick Gates e o conselheiro político George Papadopoulos.

No passado, uma colecção tão grande de sarilhos nos tribunais seria tóxica para a reputação de um Presidente. Mas, no mesmo passado não muito distante, um Presidente que não tivesse uma vida familiar impoluta também dificilmente poderia ser apoiado pelos sectores conservadores da sociedade norte-americana, nomeadamente pelos religiosos. Trump, mesmo pagando a actrizes de filmes pornográficos, continua a ser abençoado por eles.

O presente é feito de apoiantes imunes a factos. No dia em que se registaram estas condenações, o Presidente norte-americano fez mais um comício e centenas de apoiantes gritaram o ritual “lock her up” e “drain the swamp”. Mas nem o “prendam-na” nem “o esvaziem o pântano” tinha os dois condenados no pensamento.

Como disse recentemente o advogado de Trump e ex-mayor de Nova Iorque Rudy Giuliani, “a verdade não é verdade”. E se vivemos o tempo em que a verdade não é verdade, dificilmente ela representará uma ferida na popularidade de Trump junto dos seus apoiantes. Restam as eleições de Novembro para termos mesmo a certeza.