Revivalismo para toda a família no EDP Vilar de Mouros

O veterano festival do Alto Minho tem início esta quinta-feira com um concerto de Peter Murphy dedicado aos 40 anos dos Bauhaus. Pretenders , PiL e Human League também actuam no primeiro de três dias. Nos seguintes, haverá John Cale, Incubus, GNR, David Fonseca, James ou dEUS.

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Peter Murphy em 2008 no festival Marés Vivas PAULO PIMENTA

Foi o pioneiro dos festivais de Verão em Portugal, com as míticas edições de 1971 e de 1982, e acompanhou a implantação definitiva destes eventos no país quando da sua segunda vida, entre 1996 e 2006. Renascido em 2014, parece caminhar para uma existência consistente, ancorado na história que o antecedeu e assumindo a vontade de ser palco para uma fruição familiar. É assim que se apresenta o EDP Vilar de Mouros este ano. A edição 2018 tem início esta quinta-feira e prolonga-se até sábado, apresentando como principais destaques Peter Murphy, em concerto comemorativo dos 40 anos dos Bauhaus, os Pretenders de Chrissie Hynde, os PiL de John Lydon, todos no dia de arranque, e Incubus, James e dEUS nos seguintes.

“Um festival maduro para gente crescida”, “um festival para gente madura trazer os filhos”, assim o definiu Diogo Marques, um dos organizadores do festival do Alto Minho, em declarações à Lusa. Tendo em conta esse posicionamento, faz sentido a aposta num cartaz de pendor revivalista, que agrupa esta quinta-feira a memória dos Bauhaus, celebrada pelo seu vocalista, Peter Murphy, acompanhado pelo baixista fundador, David J (1h50), a viagem aos anos 1980 roqueiros com os Pretenders, que, sinal de presente, trazem consigo Alone, produzido em 2016 por Dan Auerbach, dos Black Keys (0h15), e a passagem pelos anos 1980 synth-pop dos Human League (22h50) e pelos anos 1980 do pós-punk exploratório dos PiL, criados por John Lydon depois do colapso dos Sex Pistols (21h25) – a iniciar a noite, o presente da música portuguesa através da auto denominada “pop tropical futurista” dos Cavaliers of Fun (19h30) e da new-wave dos Plastic People, que terão certamente álbuns dos Bauhaus e dos PiL na discografia caseira (20h25).

Quando chegar o segundo dia de festival, já o público se terá ambientado às novidades prometidas para este ano. Depois da ampliação do recinto em 2017, a organização anunciou a criação de “mais áreas de conforto e de restauração”, bem como espaços para actividades paralelas à música em palco. Para além dos mergulhos no rio, um clássico desde a distante primeira edição, será possível, por exemplo, participar nuns “mini-jogos sem fronteiras” ou aproveitar o transporte gratuito a partir da estação de comboio de Caminha, que fará a ligação não só ao recinto do festival mas também às praias da região. Depois dos 26 mil espectadores em 2017, a organização prevê que esse número suba este ano aos 30 mil.

Na sexta-feira, o festival iniciar-se-á com duas gerações de músicos portugueses. O primeiro a subir a palco, às 19h, será Scarecrow Paulo, ou seja, a nova criação musical de Paulo Pedro Gonçalves, guitarrista dos Heróis do Mar e dos LX-90. Seguir-se-ão os GNR, às 19h55, e depois deles, às 21h10, David Fonseca leva a Vilar de Mouros a diversidade de cores e géneros convocados para o seu álbum mais recente, Radio Gemini. A noite prossegue, às 22h35, com a actuação dos Editors, representantes britânicos da vaga de recontextualização pós-punk (com altar devotado aos Joy Division, no caso em apreço) que tomou de assalto o cenário musical na alvorada do século XXI. Os Incubus, banda americana que serviu de ponte entre a ressaca grunge e a ascensão nu-metal, chegam às 0h15. A noite encerra-se, a partir das 1h50, com o caldeirão musical de rockabilly, soul ou ska dos ingleses Kitty, Daisy & Lewis.

No sábado, o festival mostrará primeiro um grande cantautor do presente português, Luís Severo (19h30), e uma lenda vida da história da música popular das últimas seis décadas, John Cale, força motriz dos Velvet Underground ao lado de Lou Reed (20h30). Seguir-se-ão às 21h45 os Los Lobos, veteranos do rock de raiz e do chamado Tex-Mex – ou seja, a música de fronteira que é ponto de encontro entre a tradição americana e a mexicana –, e, às 23h15, os dEUS, banda que deixou a sua marca na música independente dos anos 1990 e que tocou de forma particular a geração portuguesa dessa década.

O mesmo aconteceu, de uma forma mais generalizada, com os James, culpa de êxitos transversais como Sit down, Born of frustration ou Sometimes. A banda inglesa, nascida no início dos anos 1980, regressa a Portugal poucos meses depois da actuação no Rock In Rio Lisboa, mas chega a Vilar de Mouros com novo álbum acabado de editar, intitulado Living  in  Extraordinary  Times. O concerto da banda de Tim Booth tem início marcado para as 0h55. A honra de encerrar o festival cabe, a partir das 2h40, aos anglo-espanhóis Crystal Fighters.