Há cada vez mais refugiados a ajudar a economia alemã

Governo faz uma avaliação positiva à integração dos refugiados acolhidos desde 2015. Crescente entrada de refugiados no mercado de trabalho está a responder à falta de mão de obra técnica do país.

Ahmad Hosseini, de 18 anos, é um dos refugiados afegãos que integrou com sucesso um programa de formação técnica numa empresa alemã
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Ahmad Hosseini, de 18 anos, é um dos refugiados afegãos que integrou com sucesso um programa de formação técnica numa empresa alemã Reuters/Wolfgang Rattay

São cada vez mais os refugiados a encontrar emprego na Alemanha, revelam os dados divulgados nesta terça-feira, o que constitui uma boa notícia para os que apoiam a decisão da chanceler Angela Merkel de deixar entrar no país centenas de milhares de refugiados de guerra desde 2015.

Números divulgados na semana passada já mostravam que as empresas alemãs conseguiram atrair mais participantes nos programas de formação devido a um aumento dos pedidos de asilo provenientes do Afeganistão e da Síria.

Os números vão alimentar o debate em curso na Alemanha sobre a abertura de fronteiras defendida pela chanceler, que em 2015, no pico da crise de refugiados, aceitou a entrada de quase um milhão de migrantes, na sua maioria refugiados de zonas de guerra como o Iraque, a Síria e o Afeganistão.

Dentro e fora do seu partido (a CDU), Merkel foi criticada e atacada pela abertura aos refugiados. A sua popularidade sofreu quedas significativas e a sua liderança do partido conservador alemão chegou a ser questionada. Mas, e apesar da redução da atribuição de asilo, Merkel manteve-se fiel ao “imperativo humanitário” de manter a porta aberta a refugiados.

Do lado dos críticos, especialmente do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), o discurso continua a ser de que os recém-chegados são um fardo para a segurança social e economia da Alemanha. No entanto, o chefe da Agência do Trabalho, Detlef Scheele, disse à agência de notícias dpa que não há motivo para pessimismo quanto à capacidade do país para lidar com o número recorde de chegadas.

"Está tudo a correr muito bem", disse Scheele, acrescentando que os números foram ligeiramente melhores do que o esperado. "São bons números, especialmente tendo em conta que as pessoas vieram aqui por razões humanitárias e não para encontrar um emprego".

Segundo o Ministério do Trabalho, o número de refugiados empregados e integrados provenientes dos oito países com mais pedidos de asilo aumentou de cem mil para 306.574 em Maio deste ano, comparativamente a período homólogo no ano passado.

Entre estes, cerca de três em cada quatro tinham um contrato de trabalho em que tanto a empresa como o funcionário descontavam para a segurança social. E cerca de 500 mil pessoas dos mesmos oito países estavam, em Julho, à procura de trabalho. Neste grupo estão incluídos refugiados que frequentam um curso de língua alemã e integração.

Quase 197 mil pessoas foram registadas como desempregadas, o que está alinhado com o nível observado um ano antes, mostraram os dados. 

A escassez de mão-de-obra qualificada e a falta de jovens dispostos a integrar programas de formação até três anos tornaram-se grandes preocupações para os gestores da maior economia da Europa. As vagas disponíveis para cursos de formação atingiram seu nível mais alto em mais de 20 anos, com mais de um terço das empresas sem mão-de-obra para preencher todos os seus postos de trabalho.

O número de recém-chegados na Alemanha caiu drasticamente este ano, em parte devido a controlos fronteiriços mais rigorosos por toda a Europa, bem como devido a regras mais rígidas de asilo na Alemanha e noutros países.