Em Santo Amaro voa um drone para salvar vidas e dar conselhos

Equipado com uma bóia insuflável e um altifalante, o novo equipamento vai estar na praia até ao fim da época balnear. Mas a ideia é que ele continue a ser útil depois.

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A Câmara de Oeiras investiu 4500 euros na compra do drone, para os bombeiros de Paço de Arcos Nuno Ferreira Santos
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A Câmara de Oeiras investiu 4500 euros na compra do drone, para os bombeiros de Paço de Arcos Nuno Ferreira Santos
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A Câmara de Oeiras investiu 4500 euros na compra do drone, para os bombeiros de Paço de Arcos Nuno Ferreira Santos
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A Câmara de Oeiras investiu 4500 euros na compra do drone, para os bombeiros

“A vítima?”, pergunta o comandante dos bombeiros. “Está ali”, respondem-lhe. Um homem atira-se prontamente ao mar, nada uns bons 30 metros e ali fica, à espera que o vão “salvar”. No areal, os banhistas concentram-se à volta de um aparelho preto com cerca de um metro de diâmetro e várias hélices, a atracção do dia, o motivo pelo qual andam pessoas de calças e camisa na praia de Santo Amaro de Oeiras às onze da manhã.

Trata-se de um drone salva-vidas que os Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos compraram com dinheiro da Câmara Municipal de Oeiras. Santo Amaro é a primeira praia do país a ter um equipamento deste género, que, segundo a autarquia, permite resgatar náufragos com mais rapidez e segurança.

Enquanto a “vítima” se afoga lá ao fundo, na baía calma em que as águas do Tejo se encontram com as do Atlântico, o comandante dos bombeiros ordena o arranque da operação. As hélices da máquina põem-se a rodar freneticamente, parece um batalhão de mil abelhas, o objecto voador eleva-se no ar ao som de uma sirene e, pairando sobre os circunstantes, vem de lá uma voz: “Praia Segura, um projecto da Câmara Municipal de Oeiras”.

Feito o anúncio, o bicho lá segue para o mar. Ao aproximar-se do homem em apuros, larga um pacote amarelo fluorescente, que ao tocar na água insufla em poucos segundos e revela-se uma bóia para o “náufrago” se apoiar. Entretanto, um nadador-salvador já se fez à água e dirige-se para o local. Isto “permite que o nadador-salvador chegue mais tranquilo e que a pessoa fique também mais calma”, congratula-se Isaltino Morais, que assiste à cena rodeado de munícipes em férias. Quando o drone regressa e pousa num pequeno tapete disposto sobre a areia, irrompe uma primeira salva de palmas.

A segunda ouvir-se-á pouco depois, quando o drone mostrar uma outra característica: a de transmitir mensagens aos banhistas através de um altifalante. Ricardo Ribeiro, o comandante dos bombeiros de Paço de Arcos, dá alguns exemplos para toda a praia ouvir. “Proteja-se do sol. Ponha protector solar. Cumpra as regras de segurança”, diz. E termina com o já conhecido anúncio de que o projecto tem o apoio da autarquia, que repete várias vezes.

O drone “tem uma série de características muito evoluídas”, diz o responsável da corporação, já findo o salvamento. “Atinge uma velocidade até 55 km/h, consegue carregar objectos com um peso até sete quilos”, explica Ricardo Ribeiro. A bóia auto-insuflável que vimos em acção tem capacidade para quatro náufragos. “Isto permite fazer socorros com muito mais segurança para o nadador-salvador”, sublinha. Isaltino Morais admite que, a princípio, desconfiou que o aparelho fosse útil. Agora diz que o investimento, a rondar os 4500 euros, “vale a pena” e que, não tarda, “por esse país fora” haverá municípios a comprar drones para as suas praias.

Para os bombeiros de Paço de Arcos, donos da máquina voadora, “o projecto não termina aqui”, diz Ricardo Ribeiro. Para uma fase posterior está prevista a compra de uma câmara térmica para pôr o drone a ajudar no combate a incêndios, por exemplo. “Se tivermos um incêndio em altura, num prédio, e as vítimas estiverem inacessíveis nos últimos andares, ele tem condições para lhes levar garrafas de água, máscaras de oxigénio ou estojos de primeiros socorros”, acrescentou.

Segundo o Instituto de Socorros a Náufragos, em 2017 houve 559 salvamentos nas praias de todo o país, dos quais 434 foram feitos durante a época balnear, entre Maio e Setembro. Nesse período, três pessoas morreram por afogamento em praias vigiadas e seis em praias não vigiadas. Ainda não há dados disponíveis relativos a este ano.