Agricultura

INE prevê aumento de 8% na produção de cereais

Estimativas não integram ainda “potenciais impactos” da vaga de calor do início de Agosto, nem eventuais consequências do incêndio de Monchique
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Área de milho está a a ganhar a outros cereais e mesmo ao tomate para a indústria patricia martins

As previsões agrícolas do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 31 de Julho, apontam para um aumento de 8% este ano na produção de cereais de Outono/Inverno, face a 2017, devido às condições climatéricas favoráveis.

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Mas o instituto ressalva que estas previsões, hoje divulgadas, como se reportam aos últimos dias de Julho, não integraram ainda “potenciais impactos” da vaga de calor do início de Agosto, nem eventuais consequências do incêndio de Monchique, podendo por isso ser ajustadas no Boletim Mensal de Agricultura e Pescas de Agosto, a publicar em Setembro.

Mas os dados estatísticos até ao final de Julho perspectivam um aumento de 5% da área de milho para grão, que deverá fixar-se nos 90 mil hectares, a maior área desde 2015.

No tomate para a indústria, o INE registou um aumento da pressão das doenças criptogâmicas, nomeadamente do míldio, prevendo uma manutenção do rendimento unitário da campanha passada.

O gabinete estatístico relaciona estes dois desenvolvimentos - o aumento da produção de milho de regadio (por oposição ao de sequeiro) com a produção de tomate para a indústria. Assim, explica o INE, "este aumento [da área de milho] poderá dever-se à conjugação da redução revista da área de tomate para a indústria, com o aumento da procura de milho nacional por parte da agroindústria".

Nos restantes cereais, a mudança é pouco significativa, e longe das reais necessidades de consumo do país: o trigo mole tem uma estimativa de 53 mil toneladas, face a 50 mil em 2017, mas esse foi o valor mais baixo desde 2013; o trigo duro terá uma produção de oito mil (face a nove mil toneladas um ano antes), no triticale e centeio está prevista a manutenção (em 26 mil e 14 mil tonelada, respectivamente); a cevada passará de 48 mil para 57 mil toneladas e a aveia de 46 para 50 mil toneladas.

Também no arroz a produtividade deverá ser semelhante à do ano anterior, enquanto para a batata de regadio, as colheitas já realizadas apontam para uma produtividade 10% inferior à de 2017, a rondar as 21 toneladas por hectare.

Os pomares e as vinhas apresentam um atraso no ciclo vegetativo que varia, consoante as regiões, entre as duas e as três semanas, conferindo às condições climatéricas de Agosto e Setembro um carácter determinante na quantidade e qualidade da vindima.

Na vinha, perspectiva-se que a produtividade decresça 5%, face a 2017, e na maçã e na pêra as previsões são para reduções do rendimento unitário de 5% e 10%, respectivamente, com bastante heterogeneidade na carga de frutos dos pomares.

No pêssego estima-se um aumento da produtividade de 5%, superior à da campanha anterior, ainda que abaixo das perspectivas iniciais, sobretudo devido aos danos causados pela ocorrência de aguaceiros fortes, acompanhados de granizo, na segunda quinzena de Junho.

Quanto à amêndoa, o INE prevê uma quebra na produtividade de 20% face à campanha anterior, resultado de dificuldades na fase da floração/vingamento do fruto.