O novo filme de Kevin Spacey fez apenas 126 dólares na noite de estreia

A longa-metragem está disponível em apenas dez cinemas norte-americanos.

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Kevin Spacey foi acusado de assédio em 2017 LUSA/ANDY RAIN

O último filme de Kevin Spacey, Billionaire Boys Club, estreou-se nos Estados Unidos a última sexta-feira, mas os resultados indicam que dificilmente se tornará num sucesso: na noite de estreia arrecadou apenas 126 dólares (cerca de 110 euros).

Apenas dez cinemas estão a passar o novo filme de Kevin Spacey e nenhum deles fica nas grandes cidades de Los Angeles e Nova Iorque. Por si, esse já seria um factor decisivo para o fracasso do filme, que surge aliado ao facto de estar disponível há quase um mês numa plataforma de filmes on-demand. Mas é o escândalo de assédio sexual em que o actor se viu envolvido que mais parece ter pesado na escolha dos espectadores.

Em Outubro de 2017, o actor Anthony Rapp, actualmente a trabalhar na série Star Trek: Discovery, acusou Kevin Spacey de assédio e de o tentar seduzir quando tinha apenas 14 anos (há mais de 30 anos). Kevin Spacey tentou pedir desculpas pelo sucedido, mas já não conseguiu escapar ao efeito catalisador do caso Harvey Weinstein e ao início do movimento #MeToo. Seguiram-se outras acusações de assédio sexual e investidas sexuais não desejadas. Muitos acusadores afirmam que eram menores de idade à data dos acontecimentos, que muitas vezes aconteciam em festas na casa do actor, bares e pubs.

Hollywood está cada vez menos tolerante face ao assédio sexual e mostrou-o. Pouco depois de as primeiras acusações terem vindo a público, Kevin Spacey foi retirado do filme Todo o Dinheiro do Mundo a apenas um mês e meio da estreia, e despedido da série da Netflix, House of  Cards.

Billionaire Boys Club, que conta com os actores Ansel Elgort e Taron Egerton nos papéis principais, é um drama baseado em factos reais. Conta a história de uma investigação a uma série de assassínios de pessoas relevantes que tiveram lugar num clube social com o mesmo nome, na Califórnia dos anos 1980.

Para justificar a sua decisão de estrear o filme, apesar do escândalo em que Kevin Spacey se viu envolvido, a distribuidora Vertical Entertainment emitiu um comunicado. Defende que Spacey tem apenas um “papel pequeno” na longa-metragem e que as “alegações [de assédio sexual] não eram conhecidas publicamente quando o filme já se encontrava numa fase final de produção, há quase dois anos e meio”.

“No final, esperamos que as audiências decidam por elas próprias e que repreendam as alegações sobre o passado de uma pessoa, mas não às custas de um elenco inteiro e da equipa que rodou este filme”, diz o comunicado.