JS deu o pontapé de saída para o PS discutir a disparidade salarial... há dois anos

Moção da Juventude Socialista foi apresentada no congresso do PS de 2016 e depois aprovada na Comissão Política Nacional. O objectivo era levar os socialistas a estudar o assunto - algo que ainda não aconteceu na bancada parlamentar.

A Juventude Socialista levou a moção ao congresso do PS de 2016, mas o partido guardou-a na gaveta.
Foto
A Juventude Socialista levou a moção ao congresso do PS de 2016, mas o partido guardou-a na gaveta. Rui Gaudencio

Apesar de o primeiro-ministro e secretário-geral do PS ser de opinião que deve ser reduzido o hiato salarial entre trabalhadores e gestores, o seu partido não deu seguimento à moção da Juventude Socialista apresentada há dois anos no congresso do partido e aprovada depois pela Comissão Política Nacional. O objectivo, diz o actual líder da JS ao PÚBLICO, era que o PS estudasse a questão de estabelecer um rácio salarial entre os trabalhadores com maior e menos salário nas empresas, mas apesar de terem passado dois anos a discussão não foi feita. A moção Limitar Proporcionalmente os Salários - Uma questão de igualdade ficou, assim, na gaveta.

A Juventude Socialista defende há vários anos que deve ser estabelecido esse rácio, vinca o deputado e presidente da JS, Ivan Gonçalves, que confirma que o assunto também não foi discutido na bancada parlamentar - mas terá que ser, uma vez que o Bloco vai entregar por estes dias um projecto de lei no Parlamento, como o PÚBLICO noticiou.

A proposta inicial da JS, elaborada pelo anterior líder da juventude, João Torres, decorria da "reflexão que vários partidos sociais-democratas, socialistas e trabalhistas estavam a fazer um pouco por toda a Europa na sequência da crise financeira e dos seus impactos no tecido económico". Porque, lembra, se houve muitos trabalhadores que perderam rendimentos e direitos, muitos gestores reforçaram os salários. A inspiração no Gato Gordo suíço, que foi chumbado em referendo, era assumida.

"A proposta pretendia despertar a consciência para as deturpações da economia de mercado. Porque defendemos, isso sim, uma economia social de mercado, que exige regulação, e que neste caso podia passar pela limitação proporcional dos salários" para combater a "desregulação total que aconteceu nos últimos anos devido às crises", acrescenta João Torres.

A moção inicial da JS propunha o agravamento da TSU para as empresas que não cumprissem o rácio nos salários mais elevados, mas essa sanção acabou por desaparecer do texto final. Mas João Torres admite que terá que haver sempre algum tipo de punição para quem desrespeitar as regras. E a quem defende que o sector privado - e algumas empresas públicas que são autorizadas a ser excepção à regra já em vigor no sector estatal - deve ter liberdade para estabelecer salários por as empresas operarem num mercado global, o deputado contrapõe haver "espaço para fazer alguma coisa" para combater tamanhas desigualdades salariais.