A Juventus ganhou um goleador, a Série A um chamariz internacional

O arranque do campeonato 2018-19 significa o arranque de Cristiano Ronaldo em Itália. Na era da hegemonia dos “bianconeri”, há motivos extras para acreditar num salto qualitativo da Liga.

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Reuters/MASSIMO PINCA

Chegou ao fim o mercado de transferências de Verão em Itália, algumas horas antes do arranque da competição. O esforço que a Série A fez para evitar interferências nos plantéis já com a competição em andamento é um sinal de mudança, mas um sinal que perderá sempre em termos de mediatismo quando comparado com o élan proporcionados pelo regresso de Carlo Ancelotti e, acima de tudo, pela chegada de Cristiano Ronaldo. Dentro de nove meses se verá se há uma nova era no futebol transalpino, mas é inegável que a contratação do Bola de Ouro redireccionou os holofotes internacionais para uma prova que começava a perder seguidores.

O Chievo-Juventus, que hoje à tarde (17h) dá o pontapé de saída para a Liga 2018-19, é apenas mais um exemplo dos ventos de mudança que se vivem. A cidade de Verona adoptou medidas de segurança adicionais, até porque se prevê casa cheia e um volume anormal de visitantes, mas já antes a procura em massa da camisola 7 dos “bianconeri” ou a disputa pelos direitos televisivos da Série A permitiam concluir que o interesse na competição disparou.

Não é apenas o montante da transferência de Ronaldo, do Real Madrid para a Juventus (117 milhões de euros), que inflama as expectativas em redor do campeonato. É a qualidade do jogador, a sua dimensão planetária e a influência que teve no passado dos “merengues”, em particular nas brilhantes campanhas realizadas na Liga dos Campeões. Pelo poder de fogo que pode trazer ao campeão em título (fez 451 golos em 438 jogos em Espanha), será o internacional português o centro das atenções no encontro de estreia da competição.

“A sua contratação foi algo de excepcional e vem confirmar que a Juventus está entre os grandes da Europa”, considera Pavel Nedved, vice-presidente do clube. Massimiliano Allegri, treinador que conduziu os “bianconeri” ao sétimo Scudetto consecutivo na época passada, fala numa “anormalidade”, quando lhe pedem para comentar a chegada do jogador. “Vai dar-nos uma qualidade extra. O Cristiano é um campeão extraordinário, tem uma grande experiência internacional e vai ajudar-nos muito, mas temos de ter cuidado. Há demasiada euforia à nossa volta e isso não é bom. Este ano, vai ser mais difícil que os outros”, advertiu.

O principal desafio dos clubes de grande dimensão não é chegar ao topo, é manterem-se no topo. E se é verdade que a formação de Turim já está habituada a ir ao encontro das expectativas mais exigentes, partir em busca da quinta “dobradinha” consecutiva e acrescentar a este desiderato o sucesso na Champions é quase utópico.

Para ir à luta, a Juventus (o alvo a abater em Itália, desportivamente falando) não se muniu apenas do melhor do mundo. Assegurou João Cancelo, Mattia Perin, Emre Can e o regresso de Bonucci. E é quase certo que os dois portugueses serão titulares no encontro de hoje.

Quem acompanha o Nápoles?

A pergunta que se impõe quando se olha para a Série A é a mesma dos últimos anos: quem poderá complicar a vida à Juve e interromper a sua hegemonia? Na temporada passada, o Nápoles andou lá perto e chegou a liderar a prova durante largas jornadas. Mas a era de Maurizio Sarri chegou ao fim e os napolitanos vivem agora na esperança de que outro peso-pesado do futebol, Carlo Ancelotti, devolva a equipa aos títulos.

Depois de nove anos de ausência, “Carletto” regressa ao país-natal, com a intenção de alargar um currículo que já exibe títulos nacionais em quatro países (Itália, Inglaterra, França e Alemanha) e duas Ligas dos Campeões. Aos 58 anos, tentará manter o Nápoles a morder os calcanhares do campeão, assente num plantel estável, em que a principal mexida aconteceu na baliza (saiu Pepe Reina, chegou David Opina).

Entre as mudanças mais emblemáticas desta época, conta-se também a mudança de Gonzalo Higuaín de Turim para Milão, por empréstimo. Referência incontornável do ataque da “Juve” até agora, o argentino encontrou no AC Milan o espaço que perdeu nos “bianconeri”, com a chegada de Ronaldo. É um goleador de topo (quebrou um recorde de 66 anos ao marcar 36 golos em 2015-16) e vai representar o terceiro grande emblema em Itália, depois de ter brilhado no Nápoles.

Bem mais perto do topo do que o AC Milan tem estado a Roma, que mantém Di Francesco como treinador e fez algumas contratações interessantes, como o médio francês Nzonzi, Bryan Cristante, Javier Pastore ou Justin Kluivert. O objectivo imediato do terceiro classificado de 2017-18 será encurtar distâncias para o primeiro lugar, algo que o Inter Milão também tentará fazer.

Luciano Spalletti conta com uma mão-cheia de reforços, a começar pelas laterais (Asamoah e Vrsaljko), passando pelo meio-campo (Nainggolan conhece com profundidade o futebol italiano) e terminando no ataque, com Keita Baldé (cedido pelo Mónaco) e o promissor avançado argentino Lautaro Martínez em destaque. Um contingente suficiente para pôr em causa o domínio da Juve? A resposta será dada a partir de hoje.