Crónica de jogo

O capitão resolve

Sporting vence em Alvalade o V. Setúbal, com dois golos de Nani, e jogará na Luz em igualdade com o Benfica.

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LUSA/ANTONIO COTRIM

Nani não consegue segurá-la muito tempo no braço e anda muito tempo com ela na mão, mas a braçadeira de capitão do Sporting assenta-lhe muito bem. Nesta equipa “leonina” que ainda não é bem uma equipa, Nani foi um líder que resolveu. Marcou os dois golos do triunfo por 2-1 frente ao Vitória de Setúbal, na estreia “leonina” da época em Alvalade, um resultado que garante um registo 100% vitorioso neste arranque do campeonato e uma visita à Luz, no próximo sábado, em plano de igualdade com o Benfica.

Pode já não ser o extremo veloz de outros tempos, aquele extremo que há uma década fora considerado o melhor jogador de uma grande equipa do Manchester United, mas compensa em inteligência e capacidade de liderança o menor fulgor de pernas. Porque a técnica está lá toda e o sentido de oportunidade continua intacto no jogo de Nani. E ele assume sem reservas o papel que lhe está destinado, o de contribuir para que a ebulição externa permanente que o clube vive não contamine o que se passa no campo. Frente ao Vitória, isso pareceu acontecer mais que uma vez, mas Nani estava lá para espantar o vírus.

O V. Setúbal e o seu treinador, Lito Vidigal, têm sido uma espécie de “inimigos” desportivos do Sporting nos últimos tempos que se juntaram esta época. E a visita a Alvalade, com todas as circunstâncias que rodeiam os “leões” nos últimos tempos, era uma boa oportunidade para darem seguimento ao bom arranque sadino desta temporada (triunfo na ronda inicial sobre o Desp. Aves). O objectivo de Lito seria, por certo, aguentar e enervar o seu adversário. Na teoria, um bom plano, porque o Sporting é uma equipa que perde facilmente o norte.

Peseiro não mudou muito em relação à viagem a Moreira de Cónegos, apenas uma troca de balcânicos, o croata Misic no lugar do sérvio Petrovic, com o objectivo de ganhar alguma saída de bola rasteira em vez de abusar do pontapé para a frente. Durante alguns minutos o Sporting pareceu confortável neste papel, com vontade de decidir as coisas depressa. E à primeira oportunidade, foi o que fez. Lançamento de Acuña, bola em Nani e magia: o capitão bailou em frente à defesa sadina e, quando parecia que ia cruzar, rematou à baliza. A bola foi forte, em voo rasante, bateu na relva e entrou, sem hipótese para Cristiano.

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Livescore

Era disso que o Sporting precisava para se tranquilizar no jogo, mas dez minutos depois veio o desnorte. Uma bola bombeada na área “leonina” que Salin não agarrou e que Zequinha aproveitou para fazer o empate. Foi o que bastou para os “leões” parecerem mais perdidos e sem argumentos para furar a boa organização do Vitória, uma equipa que se ia mostrando solidária, compacta e com capacidade de criar perigo, ora por Zequinha, ora pelo venezuelano Cádiz.

Tal como acontecera em Moreira de Cónegos, o Sporting ia para o intervalo empatado e, para a segunda parte, Peseiro trocou de avançados. Entrou Montero, saiu Bas Dost, lesionado, o que obrigou o Sporting a jogar de forma diferente. Depois de Zequinha ter obrigado Salin a uma boa defesa aos 51’, Montero esteve perto do golo aos 53’, com um cabeceamento após cruzamento de Jefferson, e Nani tirou tinta à trave num livre aos 57’.

E, como acontecera na primeira jornada, a solução “leonina” veio do banco. Aos 59’, entrou Jovane Cabral e aos 66’ o jovem “leão” fez o cruzamento para Nani resolver de cabeça e sem oposição. Duas gerações diferentes de extremos formados no Sporting a resolverem um jogo complicado. Mas nesta altura, e como as coisas estão, todos os jogos são complicados para o Sporting. A melhor notícia é ir ganhando.