Avaliações ao S. Francisco Xavier após surto de Legionella ainda não terminaram

Estudos pedidos para avaliar equipamentos e manutenção prosseguem. O surto começou em Novembro e fez seis mortos.

Foto
LUSA/ANTÓNIO COTRIM

Mais de oito meses após o fim do surto de Legionella no hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, não estão concluídas as duas avaliações pedidas aos equipamentos, entre as quais a torre de refrigeração onde foi detectada a estirpe fatal da bactéria. À data, a Direcção-Geral da Saúde apontou para a manutenção deficiente deste equipamento.

No final de Novembro, depois de confirmar que houve “seguramente” uma falha na origem do surto que infectou 56 pessoas, seis das quais morreram, a administração do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (CHLO) pediu uma “avaliação urgente” para perceber o que falhara. “Se houve falha, houve. Se foi humana ou se foi técnica ainda não sabemos”, afirmava à data Carlos Galamba, vogal financeiro da administração, justificando as incertezas que levavam o hospital a recorrer ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) para avaliar a forma como era feita a manutenção das estruturas e equipamentos dos hospitais São Francisco Xavier, Santa Cruz e Egas Moniz.

O foco da avaliação são as torres de arrefecimento e os sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado dos três hospitais. Trabalho que o CHLO confirmava em Fevereiro ter um “prazo de realização de alguns meses". Também em curso continua a avaliação aos equipamentos pedida ao Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ) pela Veolia, empresa de manutenção das torres de refrigeração do hospital. A avaliação, iniciada em Dezembro, não tem ainda resultados, confirmou o PÚBLICO junto de fonte oficial da empresa.

As autoridades de saúde concluíram que a estirpe das bactérias detectadas nas secreções dos doentes coincide com as encontradas em pelo menos uma das torres de refrigeração do hospital, mas a falha que a originara escapava à esfera da saúde pública. A directora-geral da Saúde foi, no entanto, taxativa na afirmação de que havia “deficiências na manutenção da torre de refrigeração” que esteve na origem do surto de Legionella.

“Isso é inequívoco. Por observação, encontraram-se condições de conservação e manutenção dos equipamentos que eu diria que seriam propícias ao desenvolvimento das bactérias”, afirmou Graça Freitas, no início de Dezembro. A empresa sempre recusou qualquer responsabilidade, acrescentando que nunca a degradação da torre foi apontada pela equipa de peritagem interna.

O surto, detectado a 3 de Novembro do ano passado, foi dado como terminado a 27 do mesmo mês.