PCP dá nota positiva à "geringonça" mas puxa pelos galões em relação ao Bloco

Jerónimo de Sousa antecipa rentrée da Festa do Avante: “Hoje, olhando para a evolução da situação do país, vemos que foi importante a iniciativa que tomámos para cortar o passo à ofensiva que estava em curso”.

Jerónimo de Sousa
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Jerónimo de Sousa LUSA/ANtóNIO COTRIM

Os comunistas preparam o “caderno de encargos” a apresentar ao Governo no próximo Orçamento do Estado e apresentam como primeira condição garantir “que tudo o que foi alcançado se consolide”, desde o aumento das reformas até à subida do salário mínimo nacional para 650 euros, a partir do dia 1 de Janeiro. Jerónimo de Sousa, ontem, na festa de Monte Gordo (Vila Real de St.º António), puxou ainda pelos galões, lembrando ao Bloco de Esquerda que foi o PCP que esteve na rua em luta pelos direitos dos trabalhadores.

Em tempo de férias, os comunistas juntaram-se à volta de uma sardinhada para “retemperar energias”, preparando as batalhas que se avizinham. A melhoria das condições de vida, alcançada nos últimos dois anos e meio, admitiu Jerónimo de Sousa, soube a pouco. “Foi pouco, dizem reformados e pensionistas - pois foi, mas não fora a persistência e luta do PCP, era pouco mais do que nada, na medida em que o Governo do PS não queria e o Bloco de Esquerda desistia”. Aliás, Jerónimo de Sousa acha que o Governo minoritário do PS enferma de uma “ilusória e enganadora ideia” de que é possível resolver os problemas do país e assegurar o desenvolvimento de políticas sociais “amarrado” à submissão das políticas da União Europeia. Essa premissa, disse, foi o caminho seguido pelo Governo PSD/CDS, que permitiu a transferência para o estrangeiro dos centros de decisão empresarial, colocando “fora do país milhares de milhões de euros de dividendos”. Os recursos desviados, enfatizou, foram “fonte de agravamento" das condições de vida dos portugueses.

Ainda assim, o líder dos comunistas, num breve balanço feito ao apoio parlamentar que o PCP deu ao executivo de António Costa, deu nota positiva: “Hoje, olhando para a evolução da situação do país, vemos que foi importante a iniciativa que tomámos para cortar o passo à ofensiva que estava em curso”. E diz-se disposto a manter o  apoio ao Governo até final da legislatura, com uma condição: “Garantir que tudo o que foi alcançado se consolide”. Desde o aumento das reformas que assegure a todas as pensões um aumento mínimo de dez euros, a partir do dia 1 de Janeiro, até ao Abono de Família, passando pela redução de 23% para 6% para todos da taxa do IVA na electricidade, gás natural e gás de botija. Tudo num pacote que inclui ainda o desagravamento dos impostos sobre o trabalho e uma política fiscal mais agressiva sobre os “grandes lucros e o património de valor elevado”.

O aumento das pensões de reforma, “somando pelo segundo ano consecutivo um aumento extraordinário” é, aliás, um crédito que os comunistas averbam a seu favor, invocando as batalhas que têm travado na defesa dos direitos laborais e socais. Por isso, no próximo OE, vão ainda defender o aumento do investimento público, quer seja no apoio à produção, quer na melhoria do sector da saúde, educação e transportes. 

Entre as sardinhas assadas, para conformar os estômagos e as modinhas alentejanas à despedida, Jerónimo Sousa, distribuiu cumprimentos pelos camaradas, reconhecendo caras habituais neste convívio que junta militantes e simpatizantes de todo o país. O reencontro ficou marcado para a Festa do Avante no próximo dia 7 de Setembro.