Arquitectura

Um hostel na Parede com um jogo do galo dentro

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Era uma casa "muito engraçada", mas neste caso tinha algum tecto, tinha mais do que nada. Referências musicais vintage à parte, a história do hostel Get Inn podia começar assim. Ali, junto ao Parque Morais, na Parede, Cascais, viveiro de moradias e chalés da alta burguesia dos anos 20, havia uma moradia em "muito mau estado", já próxima da ruína, "irrecuperável e sem grande interesse", mas que ainda mantinha uma "extraordinária cobertura", explica o arquitecto Sérgio Antunes, co-fundador do gabinete Aurora Arquitectos, que em parceria com o atelier Furo assina este projecto de reconversão.

Foi a cobertura, então, que decidiu o que se passaria no interior do hostel, aberto há menos de um ano: um jogo do galo tridimensional, feito em três pisos. "Foi muito determinado pela forma do telhado que dividia a planta em nove [módulos]", descreve o arquitecto. Quatro volumes piramidais nos cantos escondem, no centro, uma escada amarela, que rasga todo o edifício até à clarabóia, até à luz. "É um espaço que se vê por todo o lado", que "traz o sol para o meio do edifício", mas que, diz Sérgio, quer fazer circular, não "permanecer".

Foram projectados sete quartos com uma lotação para cerca de 30 pessoas — os do piso de cima denunciam, com orgulho, o telhado. Em cada um, há um volume verde removível que alberga a casa de banho, com um ou outro beliche desenhado pelos arquitectos. Mas tudo pode mudar. "Em todos os projectos temos a preocupação de se poder voltar para o original", conta o arquitecto, e neste, em específico, a flexibilidade era também uma condição dos proprietários: se for caso disso, o hostel transforma-se sem grandes alterações em moradia, com o rés-do-chão com vocação social e os quartos nos pisos superiores, que aumentam de tamanho sem os volumes das casas de banho. E em terra de surf a inspiração náutica está por todo o lado: a janela feita escotilha, a escada para quem põe o pé na terra no pátio. Uma inspiração "inconsciente", diz o arquitecto, mas, dizemos nós, incontornável.

© do mal o menos
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