Opinião

Recomendações para a nova época

Com o início da época, os adeptos do futebol recentraram as atenções nos golos, nas vitórias, nas tácticas, mas, e porque estamos em Portugal, também o foco está nas arbitragens, nos penáltis, nos foras-de-jogo e, obviamente, no videoárbitro. Este ano a Federação Portuguesa de Futebol, e mais concretamente o seu Conselho de Arbitragem (CA), teve uma excelente iniciativa que muito se louva: chamou, ainda antes do início das competições, as pessoas ligadas à comunicação social no sentido de eles próprios dizerem de viva voz o que disseram aos árbitros do futebol profissional, nomeadamente as alterações às leis de jogo e sobretudo as recomendações que deram e que vão servir de linhas orientadoras para a forma de actuar dos nossos árbitros.

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Tendo o CA consciência de que quem comenta no contexto actual são ex-árbitros e não só, que acabam por ser “fazedores de opinião”, esta aproximação e abertura, assim como a possibilidade de no futuro se voltarem a realizar iniciativas como esta, demonstra uma mudança de paradigma e a percepção de que, nestas coisas de arbitragem, quanto maior for a abertura, a transparência, a explicação, maior será a desmistificação e melhor será a forma como as pessoas, em geral, vêem um sector que nem sempre goza de um olhar positivo, pois são sempre muitas as desconfianças e os preconceitos.

Das principais recomendações que foram dadas, e de forma resumida, destaco as seguintes:

- Que os árbitros assistentes arrisquem mais no fora-de-jogo, sobretudo nos casos limite ou, como vulgarmente dizemos, em caso de dúvida, isto porque caso deixem seguir o lance e a jogada termine em golo é sempre possível, através do VAR, reverter o eventual erro do fora-de-jogo que não tenha sido assinalado.

- Que o tempo perdido durante o jogo e que o sistemático anti-jogo seja efectivamente compensado e acrescentado, o que vai resultar em mais minutos de compensação bem para além dos habituais três ou quatro.

- Que haja coragem para advertir os guarda-redes que nas reposições de bola, nomeadamente nos pontapés de baliza, demorem tempo excessivo e que esse cartão amarelo não seja apenas mostrado no minuto 90, como é prática corrente. Se tiver de ser, que o façam aos 20 ou 30 minutos de jogo.

- Que, para efeito da contagem de tempo perdido na assistência a jogadores lesionados, o AVAR (que é o assistente do videoárbitro) possa, durante o jogo, fazer essa contabilidade e no momento em que o árbitro vai decidir o tempo de desconto a aplicar, possa intervir no sentido de lhe dar essa informação para que o árbitro possa tomar a decisão de acordo com esse dado.

- Que pedir amarelos para os adversários, fazer de forma excessiva o sinal de videoárbitro, agarrar, tocar no árbitro assim como pôr em causa a sua autoridade sejam gestos penalizados com o respectivo cartão amarelo.

- Que nas situações de área e de possível penálti haja uma causa-efeito entre as acções e as consequências, ou seja, não penalizar simples contactos ou toques, mas penalizar os agarrões, rasteiras, empurrões, cargas, etc., desde que os jogadores que sofrem essas acções percam a posse de bola, ou não a possam disputar, ou se desequilibrem ou fiquem impossibilitados de correr ou rematar. No fundo, uma acção e uma consequência, uma causa e um efeito.

- Que tenham em consideração que já foi autorizada a quarta substituição para as competições nas quais se tenham de jogar os 30 minutos de prolongamento.

- Que para análise do fora-de-jogo e do momento do passe decisivo, seja tido em consideração o momento de contacto com a bola, isto para uniformizar em termos do VAR e das próprias televisões, que exibem a linha do fora-de-jogo, o momento exacto para o fazerem.

Estas foram algumas das principais recomendações que esperemos que, ao serem aplicadas, venham contribuir para mais e melhor futebol.