Arábia Saudita interessada em financiar saída da Tesla de bolsa, diz Musk

As conversas entre o empresário o fundo soberano saudita começaram em 2017

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Musk nega que serão precisos mais de 70 mil milhões de dólares Reuters/Aaron Bernstein

Há dois anos que Elon Musk está a ter reuniões com representantes do fundo soberano da Arábia Saudita para comprar acções da Tesla e retirá-la de bolsa, afirmou o empresário, que começou a semana a explicar o plano. Desta vez, optou por um comunicado oficial em vez de uma publicação no Twitter.

A intenção de retirar a Tesla de bolsa, onde está avaliada em cerca de 72 mil milhões de dólares, foi divulgada no Twitter, na terça-feira passada, levando as acções da empresa de carros eléctricos a disparar. Desde 2009 que o Twitter é das maiores ferramentas para Musk anunciar novidades aos fãs e accionistas. Mas muitos também utilizaram a rede social para questionar a afirmação de que o financiamento para reverter a operação estava “garantido".

No comunicado divulgado nesta segunda-feira, Musk explica que tem estado em conversas com representantes do fundo soberano da Arábia Saudita desde o começo de 2017, nas quais estes expressaram "um interesse em diversificarem além do petróleo”. Recentemente, o fundo comprou perto de 5% das acções da Tesla e Musk afirmou que há interesse em financiar a operação de saída da bolsa. "Obviamente, têm capital mais do que suficiente para executar tal transacção", frisou Musk.

O empresário diz que ainda é cedo para revelar mais detalhes, mas descreve como “exagerada” a sugestão de que seriam necessários mais de 70 mil milhões de dólares. “A compra de 420 dólares por acção apenas seria necessária para os investidores que não desejarem ficar com a empresa depois desta se tornar não cotada”, explica Musk. “Na melhor das hipóteses, vejo dois terços das acções dos nossos investidores a passarem para uma Tesla não cotada”.

Um dos principais motivos para Musk retirar a Tesla de bolsa é permitir que a empresa se foque na missão de produzir carros eléctricos sem ter de atingir metas trimestrais de vendas e lucros sob escrutínio de investidores. De acordo com Musk, as pressões a que empresa é constantemente sujeita "podem ser uma enorme distracção para toda a gente que trabalha”.

Desde que a Tesla entrou em bolsa, em 2011, que Musk tem uma relação complicada com os investidores. Numa apresentação de resultados da empresa em Maio, por exemplo, classificou as perguntas dos analistas como “aborrecidas” e insistiu que não pretendia "convencer as pessoas a comprarem acções”.

O presidente executivo da Tesla explicou no comunicado que os próximos passos são perceber quantos dos investidores da Tesla manteriam mesmo a sua parte da empresa se esta se tornasse privada, e continuar a contactar potenciais investidores.